Tumulto no Bloco CarnaLau, no Ibirapuera

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O Parque do Ibirapuera, epicentro da folia carnavalesca na zona sul paulistana, foi palco neste sábado de um tumulto preocupante durante o desfile do bloco CarnaLau, comandado pela cantora sertaneja Lauana Prado, que atraiu multidões em busca de ritmo e celebração. A concentração, iniciada às 11 horas na Avenida Pedro Álvares Cabral, com dispersão prevista para as 16 horas, evoluiu para cenas de empurra-empurra e superlotação extrema por volta das 13 horas, quando o trio elétrico da artista avançava pelo circuito do Obelisco. Agentes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar intervieram para conter o caos, enquanto foliões pressionados contra grades de contenção gritavam por espaço e socorro, em um episódio que reacende debates sobre a gestão de megablocos em espaços públicos limitados.

O incidente ocorreu em meio a uma agenda lotada no entorno do Ibirapuera, polo oficial de megablocos no carnaval de São Paulo 2026, que concentra atrações como Lauana Prado, Agrada Gregos e Gloria Groove no mesmo horário vespertino. Testemunhas relatam que o fluxo inicial transcorreu com animação, com a cantora subindo ao trio às 12h20 e entoando sucessos como “Piseiro Hidratante” e “Chora Não”, embalando milhares de foliões fantasiados em um clima de euforia coletiva. No entanto, o acúmulo de público, estimado em centenas de milhares segundo a PM, gerou um gargalo na entrada da dispersão, próximo à Rua da Consolação e ao Parque, onde grades de proteção foram derrubadas pela pressão da multidão. Vídeos amadores circulam nas redes sociais mostrando pessoas caindo, ambulantes perdendo mercadorias e apelos desesperados por ajuda médica, com pelo menos uma mulher passando mal e exigindo intervenção do Corpo de Bombeiros.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, havia implementado medidas preventivas após tumultos semelhantes no pré-carnaval, como os registrados na semana anterior com Ivete Sangalo e Calvin Harris, que reuniram mais de 1,2 milhão de pessoas e provocaram interrupções de shows e invasões a quartéis de bombeiros. Novas saídas de emergência sinalizadas por faixas foram instaladas no Ibirapuera, além de agentes embarcados nos trios para monitorar horários e evitar paradas prolongadas. Lauana Prado, ciente da tensão, pausou a apresentação para apelar à calma, afirmando que contava com a colaboração dos foliões e a presença ostensiva da prefeitura. Ainda assim, o bloco avançou com atraso, e relatos indicam que o Agrada Gregos, previsto para as 13 horas, iniciou sob contenção reforçada, com barreiras adicionais e ambulâncias posicionadas estrategicamente.

O episódio expõe fragilidades crônicas na organização de eventos de massa na capital paulista, onde a explosão de blocos de rua, de 300 em 2017 para mais de 600 em 2026, desafia a capacidade logística do poder público. O Fórum dos Blocos de Rua de São Paulo, coordenado por José Cury, classifica o ocorrido como “desastre anunciado”, criticando a sobreposição de megablocos no mesmo circuito sem ampliação proporcional de rotas alternativas ou dispersão escalonada. Representações foram protocoladas no Ministério Público pelo PSOL, com Erika Hilton e Amanda Paschoal acusando o prefeito Ricardo Nunes de “gestão temerária”, por autorizar concentrações simultâneas apesar de alertas prévios. O MP-SP investiga a superlotação como risco à integridade física, podendo resultar em responsabilizações civis e penais.

Do lado da administração municipal, o discurso enfatiza o sucesso geral da folia, com Nunes declarando em coletiva que “não houve ocorrências graves” e que o carnaval atrai investimento turístico superior a 3 bilhões de reais. Medidas como reforço de 500 guardas civis, 200 policiais militares disfarçados e 50 postos de saúde móveis foram destacadas, além de prisões por furtos, pelo menos 20 nos últimos dias, e confisco de bebidas adulteradas. O governador Tarcísio de Freitas, aliado do prefeito, atribui os incidentes à “concorrência crescente” dos blocos, defendendo limites populacionais por via, como os 1,5 milhão na Consolação. Especialistas em eventos públicos, como os do Instituto de Estudos Avançados da USP, recomendam modelagem digital de fluxos e uso de IA para previsão de aglomerações, inspiradas em experiências europeias como o carnaval de Colônia.

Para Lauana Prado e o CarnaLau, bloco estreante que ganhou popularidade no pré-carnaval com público fiel ao sertanejo universitário, o tumulto representa um revés em sua segunda edição no Ibirapuera. A cantora, que investiu em produção caprichada com trios equipados e segurança privada, expressou preocupação nas redes, pedindo união e responsabilidade coletiva. Foliões entrevistados pela GloboNews relataram furtos de celulares e mochilas no burburinho, enquanto famílias com crianças optaram por dispersar precocemente. O Corpo de Bombeiros atendeu dezenas de casos de mal-estar por desidratação e asfixia, sem óbitos confirmados até o momento, mas com encaminhamentos ao Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, na Mooca.

O incidente no CarnaLau insere-se em um padrão preocupante do carnaval 2026, que já viu paralisações em apresentações de Felipe Amorim e Pabllo Vittar devido a pressões semelhantes. Organizers de blocos menores, como o Sertanejinho do Teló previsto para domingo, demandam revisão urgente do calendário, propondo circuitos segregados ou horários noturnos para megablocos. A sociedade civil, por sua vez, clama por equilíbrio entre a euforia popular e a segurança básica, evocando tragédias passadas como o esmagamento em Love Parade. Enquanto a folia prossegue com BaianaSystem e Galo da Madrugada no domingo, a prefeitura promete balanço operacional, mas o Ibirapuera permanece sob escrutínio como termômetro da capacidade urbana de São Paulo em gerir sua maior festa de rua.

Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

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