O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no sábado (16) que a Ucrânia deveria fazer um acordo para encerrar a guerra com a Rússia porque “[a Rússia] é uma potência muito grande, e eles não são”, após uma cúpula na qual Vladimir Putin teria exigido mais território ucraniano.
Após o encontro entre os dois líderes no Alasca na sexta-feira (15), Trump disse ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky que Putin havia oferecido congelar a maioria das linhas de frente se Kiev cedesse todo o Donetsk, a região industrial que é um dos principais alvos de Moscou, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.
Zelensky rejeitou a exigência, disse a fonte. A Rússia já controla um quinto da Ucrânia, incluindo cerca de três quartos da província de Donetsk, que invadiu pela primeira vez em 2014.
Trump também afirmou concordar com Putin que um acordo de paz deve ser buscado sem o cessar-fogo prévio que a Ucrânia e seus aliados europeus haviam exigido. Essa foi uma mudança em relação à sua posição antes da cúpula, quando disse que não ficaria satisfeito a menos que um cessar-fogo fosse acordado.
“Foi determinado por todos que a melhor forma de acabar com a horrível guerra entre Rússia e Ucrânia é ir diretamente a um acordo de paz, que encerraria a guerra, e não a um mero acordo de cessar-fogo, que muitas vezes não se mantém”, publicou Trump na Truth Social.
Zelensky afirmou que a recusa da Rússia em pausar os combates complicaria os esforços para construir uma paz duradoura. “Parar os assassinatos é um elemento-chave para acabar com a guerra”, disse ele no X. Mesmo assim, o líder ucraniano disse que se reunirá com Trump em Washington na segunda-feira (18).
Isso remete à reunião no Salão Oval da Casa Branca em fevereiro, quando Trump e o vice-presidente JD Vance repreenderam Zelensky publicamente de forma dura. Trump disse que uma reunião trilateral com Putin e Zelensky poderia acontecer em seguida.
Os aliados europeus de Kiev saudaram os esforços de Trump, mas prometeram apoiar a Ucrânia e aumentar as sanções contra a Rússia.
Entenda a guerra na Ucrânia
A Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022 e detém atualmente cerca de um quinto do território do país vizinho.
Ainda em 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, decretou a anexação de quatro regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.
Os russos avançam lentamente pelo leste e Moscou não dá sinais de abandonar seus principais objetivos de guerra. Enquanto isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pressiona por um acordo de paz.
A Ucrânia tem realizado ataques cada vez mais ousados dentro da Rússia e diz que as operações visam destruir infraestrutura essencial do Exército russo.
O governo de Putin, por sua vez, intensificou os ataques aéreos, incluindo ofensivas com drones. Os dois lados negam ter como alvo civis, mas milhares morreram no conflito, a grande maioria deles ucranianos.
Acredita-se também que milhares de soldados morreram na linha de frente, mas nenhum dos lados divulga números de baixas militares. Os Estados Unidos afirmam que 1,2 milhão de pessoas ficaram feridas ou mortas na guerra.