Trajetória Afro-Brasileira em destaque no Farol Santander

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A exposição “Emanoel Araujo — Embates Construtivos”, em cartaz no Farol Santander, apresenta mais de setenta obras do artista, abrangendo desde raridades de sua juventude até trabalhos de seus últimos anos de vida. A mostra inclui serigrafias, xilogravuras, cartazes e esculturas, ocupando todo o 24º andar do edifício. O curador Fábio Magalhães destaca a trajetória de Araujo, enfatizando como ele trouxe a raiz africana para a abstração geométrica, inserindo-o em um contexto de grande efervescência cultural na Bahia.

Nascido em Santo Amaro, Bahia, em 1940, Emanoel Araujo teve contato com uma geração de artistas e intelectuais influentes. Ele estudou gravura na Escola de Belas Artes da Bahia e, no início de sua carreira, suas obras eram figurativas, evoluindo para a abstração geométrica que o consagraria. Em 1972, ganhou a Medalha de Ouro na Bienal de Arte Gráfica de Florença por suas gravuras de armar, demonstrando um interesse precoce pela tridimensionalidade.

A exposição exibe obras bidimensionais, como um álbum de serigrafias em homenagem a poetas negros e um cartaz de 1963. Na década de 70, Araujo aprofundou-se no abstracionismo geométrico com esculturas em madeira e metal, onde “diagonais se enfrentam, se contrapõem e convergem”, segundo Magalhães, ressaltando a influência africana em sua escola geométrica. O artista, que viveu em uma casa-ateliê no Bixiga, foi um importante nome na valorização da arte e memória afro-brasileira.

Emanoel Araujo foi fundamental na organização de exposições marcantes, como “A Mão Afro-Brasileira” em 1988 e “500 Anos de Brasil” em 2000. Em 2004, fundou o Museu Afro Brasil, doando peças de sua coleção pessoal, e dirigiu a instituição até sua morte em 2022, quando o museu passou a levar seu nome. Ele também dirigiu a Pinacoteca de São Paulo entre 1992 e 2001, liderando sua reestruturação.

A expografia de Haron Cohen organiza as esculturas por cor, com seções dedicadas a cores ligadas a orixás iorubás, como o amarelo de Oxum, o branco de Oxalá, e o vermelho e azul-escuro de Ogum. Uma sala é dedicada a obras brancas, e outra a esculturas da série “Navio”, que aborda a temática das embarcações negreiras. Um destaque é a escultura “Homenagem à Louise Nevelson” (1998), que reflete a influência barroca na obra de Araujo.

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