Segurança pública no Rio permanece como maior desafio da gestão estadual em 2026 e define pauta eleitoral

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A segurança pública no Rio de Janeiro segue como o tema mais urgente e estruturalmente mais complexo da política fluminense, constituindo ao mesmo tempo o principal desafio de gestão do governo do estado e a variável que mais pesará na disputa eleitoral de outubro de 2026. O contexto imediato é marcado pelos desdobramentos da megaoperação policial realizada nos Complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025, que resultou em 64 mortes, sendo 4 policiais, e que gerou um turbilhão de repercussões nos âmbitos jurídico, político e humanitário que ainda não se dissipou por completo.

A operação, denominada Contenção e conduzida conjuntamente pela Polícia Militar e pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, foi a mais letal da história do estado. Seu objetivo declarado era o cumprimento de mais de 60 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho nos dois complexos de favelas da Zona Norte carioca, que concentram uma das maiores populações em situação de vulnerabilidade social da América do Sul. A reação dos criminosos incluiu o uso de drones para lançar granadas contra os policiais, queima de ônibus e formação de barricadas em ruas e avenidas da cidade, o que chegou a afetar mais de 120 linhas de transporte coletivo e paralisar parcialmente o funcionamento de escolas e serviços públicos.

O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União solicitaram ao governo do Rio esclarecimentos sobre o cumprimento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal que estabelece requisitos procedimentais mínimos para operações policiais em comunidades, com o objetivo de reduzir ao máximo o número de mortes de civis inocentes. A operação Contenção gerou mais de 30 propostas legislativas no Congresso Nacional sobre temas de segurança pública, sinalizando que o tema ressurgiu como pauta prioritária no Legislativo federal após período de relativo refluxo.

Os dados de médio prazo sobre a violência no Rio são igualmente preocupantes. Um levantamento do projeto De Olho na Maré revelou que entre 2016 e 2025 ocorreram 231 operações policiais somente no Complexo da Maré, resultando em 160 mortes e 1.538 ações de violência ou violação de direitos de moradores, incluindo torturas, ameaças e casos de cárcere privado. Esses números descrevem um padrão recorrente que transcende gestões estaduais específicas e que remete a questões estruturais sobre a formação policial, a ausência do Estado nos territórios dominados pelo crime organizado e a falta de alternativas sociais e econômicas para a população jovem dessas comunidades.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
SP Notícias — Intellectus ex Veritate

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