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“Então Pedro, respondendo, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?
E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.
Porém, muitos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros.”
São Mateus 19:27-29

 

No dia 06 de Outubro, celebramos o desconhecido mas luminoso São Bruno de Colônia, fundador da ordem Cartuxa.

São Bruno em sua vida diplomática, foi nomeado cónego da catedral de Reims, na França, e esse cargo o converteu em diretor de todas as escolas sob a jurisdição daquela diocese, responsabilidade que exerceu, por cerca de vinte anos, com tal eficácia e virtude que o Papa São Gregório VII lhe concedeu o honroso título de Remensis Ecclesiae magistrum – mestre da Igreja de Reims.

Foi também nomeado chanceler da catedral por Dom Manassés de Gournay, do qual posteriormente teve problemas, pois o arcebispo praticava a simonia e dilapidou os bens da diocese, São Bruno mostrou se homem de retidão e de santidade, se opôs a ele, pouco depois, o arcebispo foi submetido a processo canônico do qual foi suspenso, motivo pelo qual São Bruno foi nomeado como novo arcebispo mas recusou.

Porém, a vida desse glorioso santo veio a mudar, após um funeral ocorrido na catedral de Reims.
Um famoso professor veio a falecer, todo o processo para a cerimônia do velório e enterro foi iniciado, todavia, no ofício dos defuntos, eis que, levanta-se o morto e diz: “A justiça de Deus me acusou!.”
Choque geral em todos que lá estavam, no segundo dia, o morto ergue-se novamente e diz outra vez : “A justiça de Deus me rejeitou!”

Por fim, no outro dia, o mesmo ocorreu, o morto, outra vez exclamou: A justiça de Deus me condenou!”
Imaginemos estarmos presente em um velório, e o defunto erguer-se e clamar em alta voz: “Eu fui condenado, no tribunal Divino, fui reprovado.” Que espanto isso não nos causaria?

Isso foi a causa da conversão de São Bruno, esse acontecimento tocou-o profundamente, que não desejava para si tão triste destino, ser condenado no tribunal de Deus. São Bruno deixa então, todos seus cargos, renunciou a tudo, e retirou-se para uma montanha chamada Cartuxa (de onde surgiu o nome de sua ordem), foi com mais 6 amigos, todos convencidos que as coisas do mundo são passageiras, e que nada adianta “Ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.” (São Mateus 16:26)
Pediram permissão ao bispo local, contando a ele todos os ocorridos, o célebre bispo São Hugo, que na noite anterior havia sonhado com 7 estrelas luminosas, e não teve dúvidas que aqueles santos homens corajosos e penitentes, eram as estrelas de que havia sonhado.

A ordem Cartuxa é conhecida pelo seu rigorismo, fuga mundi, a fuga do mundo, renúncia de todos os bens do mundo, vida austera e penitente, sobretudo o seu profundo silêncio.
Valores esses que viemos a perder totalmente em nossa sociedade, somos completamente apegados aos nossos bens, as novidades do mundo, ao poder, ao ter e ao ser; existia um rito na coroação do papa, onde um ministro, diante do papa, queimava um véu diante do sumo Pontífice, e dizia: Sic transit gloria mundi

É assim que passa a glória do mundo; como um pano que se queima: Dies Irae, Dies Ira, solvet Sæculum in Favilla, dia de ira, aquele dia, tudo será cinza fria. (Sequência da Missa dos fiéis defuntos, Forma extraordinária do rito romano).
E nós tão apegados as coisas, como se um dia elas não fossem acabar, todas nossas coisas e nós próprios, proprietários delas.
Vivemos em vidas tão cômodas e tranquilas, a norma vigente em nossos dias é: foge da dor e busca o prazer.

São Paulo apóstolo dizia que não queria que os cristãos soubessem de outra coisa, fora de Jesus Cristo, e este crucificado (São Paulo aos Coríntios 1:2) Diante de Jesus Cristo crucificado, vemos todo o resume de sua vida e a suma da santidade, Deus desapegado de tudo, até mesmo das vestes que usa e de sua honra e glória, pois é Deus e rei, sofrendo pela verdade, mas plenamente confiante a vontade de Deus Pai, a ponto de dizer antes de morrer: “Em tuas mãos ó pai, entrego o meu espírito.” (São Lucas 23:46)
E como podemos nós cristãos, nos gloriar na cruz de Cristo( São Paulo aos Gálatas 6:14)
e vivermos tão díspares desse ideal?

Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da igreja dizia: “Senhor, oh que escândalo, tu entre espinhos, e nós entre flores.” O cristão, que deve ser outro Cristo, vive tão afastado dele, tão diferente, tão longe de sua vida. O que muito impressiona e chama atenção na vida de São Bruno, é o profundo silêncio que ele e seus filhos espirituais, todos aqueles que abraçam a sua ordem vivem.

No mundo tão barulhento, tão ruidoso, o silêncio muito impressiona, e de fato, todos os grandes santos eram profundamente recolhidos e silenciosos, externamente, mas sobretudo internamente.
Um espírito em silêncio, paga ouvir bem a voz de Deus, pois como bem lembrava São Francisco de Sales: “O bem não faz barulho, e o barulho não faz bem.”

Alguns anos atrás, o Cardeal Robert Sarah, publicou um livro chamado: A força do silêncio, contra a ditadura do ruído. O livro tem prefácio do Santo Padre, O Papa Bento XVI, quando já havia renunciado à cátedra de Pedro. Bento XVI comenta: ” O que significa “ouvir o silêncio” de Jesus e reconhecê-lo por seu silêncio? Sabemos, pelos Evangelhos, que Jesus costumava passar as noites a orar a sós, “sobre o monte”, em diálogo com o Pai. Sabemos que o seu falar, que a sua palavra provém da permanência no silêncio e que só no silêncio poderia amadurecer. É revelador, portanto, o fato de que a sua palavra só possa ser compreendida de modo justo quando se adentra também em seu silêncio; só se aprende a escutá-la a partir dessa sua permanência no silêncio”

O silêncio na vida espiritual sobretudo, é de extrema importância para ouvirmos a voz de Deus que não se manifesta de forma gritante: ” Veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve o murmúrio de uma brisa suave.” 1 Reis:10:12

Deus nasce na noite de natal, uma noite de profundo silêncio, como um hino natalino diz Silent Night, noite silenciosa. Deus vem ao mundo no silêncio da noite fria de natal, e quem são aqueles que o acompanham? Maria Santíssima, Sua mãe, que poucas frases suas tem na bíblia, e São José, que nada tem atestado do que ele teria falado. Os amigos de Deus são silenciosos como diz a escritura: “Eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.” Oséias 2,14.

No deserto, longe de tudo e no silêncio, aprenderemos a ouvir a voz de Deus e encontraremos o Senhor.
Que o glorioso São Bruno que hoje celebramos, nos ensine com sua vida e seus exemplos, e nos alcance por suas preces, vivermos o que contemplamos, o silêncio que nos faz ouvir a Deus e o desapego que nos leva ao Senhor. E centralizarmos a cruz de Nosso Senhor, nossa vida e esperança de salvação, no centro de nossas vidas, Pois como é lema da ordem Cartuxa:

Stat Crux dum volvitur orbis

A Cruz permanece firme enquanto o mundo dá voltas.

 

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