O PSD articula nos bastidores a sucessão no Ministério da Agricultura diante da saída já definida de Carlos Fávaro (PSD-MT), que deixará o cargo em abril para disputar o Senado pelo Mato Grosso. O partido tenta manter o comando da pasta e defende nomes para ocupar o posto em meio ao redesenho político da Esplanada provocado pelas eleições.
Entre as alternativas discutidas inicialmente está o nome do ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula. Interlocutores afirmam que o nome chegou a ser mencionado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como forma de preservar o espaço do PSD no ministério, já que o ministro não disputará as eleições deste ano.
Além disso, a ideia é evitar que a sucessão ficasse restrita à equipe atual da Agricultura.
Procurado pela CNN, no entanto, André de Paula negou qualquer articulação para assumir a pasta. O ministro afirmou que decidiu permanecer no governo e não disputará as eleições.
“Não procede. O que é certo é que decidi permanecer no governo e não disputar as próximas eleições. Tudo mais é especulação”, disse.
O impasse ocorre devido às pretensões políticas dos sucessores naturais de Fávaro na Agricultura, que também são do PSD – como o secretário-executivo da pasta, Irajá Lacerda -, que pretende disputar as eleições deste ano e deve deixar o cargo no mesmo período de Fávaro.
Outro nome seria o do ex-deputado federal Guilherme Campos (PSD-SP), que atua na secretaria de Política Agrícola e deve sair do cargo para disputar às eleições estaduais em São Paulo.
Nesse cenário, um dos nomes mais citados dentro do próprio ministério é o de Carlos Augustin, assessor especial de Fávaro e um dos responsáveis por articular programas estratégicos da gestão, como iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas e à ampliação do crédito rural.
Augustin é visto como um quadro que garantiria continuidade às políticas adotadas desde o início do governo e tem trânsito dentro da pasta e junto a parte da bancada ruralista.
Empresário do setor de sementes e com ligação histórica com entidades do agronegócio, além de presidente do conselho de administração da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), ele também atua na interlocução com bancos e com a área econômica em temas ligados ao financiamento da produção.
Teti, como é conhecido Augustin, também é filiado ao PT e já concorreu às eleições estaduais em Mato Grosso.
Apesar da força interna, interlocutores do governo avaliam que a escolha dificilmente será apenas técnica e dependerá do arranjo político que o Planalto pretende montar na reforma ministerial.
O PSD pressiona para manter o controle da Agricultura e quer participar diretamente da definição do sucessor, enquanto Fávaro defende que o substituto preserve as diretrizes adotadas na gestão.