
Consistência e trabalho de fôlego de quem tem no cuidado com o planeta, também tratado por “Casa Comum”, um dos valores inegociáveis. São essas as marcas que a presença do Marista Brasil na COP30 pretende deixar no evento de novembro, quando o Colégio Marista Nazaré, em Belém (PA), também sediará a Conferência Nacional do Observatório Marista do Clima. Todos os 96 colégios da instituição pelo Brasil desenvolveram ações climáticas ao longo do ano, e as 81 unidades que atendem o Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio, de norte a sul do país, enviarão representantes, entre alunos e professores, uma média de 300 participantes, sendo 190 estudantes e 112 educadores. Além disso, Belém receberá a delegação de Maristas do Chile, composta por seis estudantes e dois professores. No Chile, existe um Observatório Marista de Ecologia Integral, iniciativa que, somada à experiência brasileira, reforça o compromisso internacional dos Maristas com o cuidado com a Casa Comum.
“Os impactos da crise climática não são iguais, há estudantes maristas que, junto com sua comunidade, viveram as enchentes no Sul, outros sofrem com a seca no Norte ou a desertificação no interior — por isso, a educação precisa formar para essa consciência solidária e justa, na qual todos se sintam parte de uma travessia comum e urgente por uma nova forma de existir”, defende um dos idealizadores e membro do Comitê Organizador do Projeto Observatório Marista do Clima, Irmão Paulo Soares. Ele também é gerente de Identidade, Missão e Vocação do Marista Brasil e considera que o evento se constitui em um “movimento em rede de mapeamento, fomento, assessoria e certificação de ações pedagógico-pastorais, com foco na aprendizagem solidária, em torno dos temas emergentes da Ecologia Integral, de modo especial, as questões climáticas”. “O Observatório parte de um compromisso eclesial e institucional marista em defesa do Clima, desde o lançamento da primeira Encíclica do Papa Francisco, a Laudato Si, quando todos nos comprometemos com ele em fazer um pacto global de cuidado com o planeta e a educação católica não poderia não se comprometer”, recorda.
Tendo o reforço da campanha da fraternidade com o tema da Ecologia Integral em 2025 e a escolha do Brasil como sede da COP30, o Marista Brasil mobilizou a rede a pensar um projeto capaz de integrar todas as suas escolas. “Temos presença marista em todas as regiões brasileiras e em todos os biomas de vida. Estamos na Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e nos Pampas”, constata. A proposta do Observatório está pautada em princípios de aprendizagens baseadas em experiências, interdisciplinaridade, desenvolvimento de competências socioemocionais e alinhada às aprendizagens das competências e habilidades da Matriz Curricular da Educação Básica do Marista Brasil. “O observatório possui uma relação direta com o evento da COP30, uma vez que dentro das escolas maristas já se realiza a simulação da conferência das partes, pois entendemos que se trata de uma ferramenta pedagógica potente e inovadora, a fim de promover a conscientização e o letramento para a educação climática”.
A implementação de um modelo de Simulação Marista da COP é um critério permanente para a filiação da unidade ao Observatório Marista do Clima. Na Simulação Marista da COP, os estudantes assumem os papéis dos atores que atuam na conferência como delegados de diferentes países, com a função de debater, negociar e propor soluções para problemas ambientais reais. “De maneira interdisciplinar, diversas áreas de conhecimento se articulam, permitindo uma visão integrada das questões debatidas, proporcionando o desenvolvimento de habilidades ligadas aos componentes de Geografia, História, Ciências, Língua Portuguesa, Matemática, etc.”, informa Soares.
Segundo ele, ainda que a Simulação da COP seja fundamental para mobilizar uma série de aprendizagens, o principal são as ações climáticas desenvolvidas. A criação de projetos baseados em situações-problema. “Essa é uma ação composta por seis etapas que buscam dar visibilidade às ações climáticas desenvolvidas nas unidades, além de proporcionar momentos de interação entre estudantes, educadores e comunidade escolar”, descreve. “A busca por soluções é a resposta autêntica e concreta das escolas, e isso nasce da sala de aula, são ações e atitudes em que os estudantes selecionam, planejam e implementam ações climáticas em sua comunidade local. Ações como o lixo zero, a criação de mantas térmicas com produtos recicláveis, a redução do consumo de água e energia, entre tantos outros”, enumera.
A partir disso, o Observatório seleciona membros observadores para estimular a comunidade escolar a praticar isso. Compete ao professor observador acompanhar, orientar e motivar os estudantes e comunidade escolar na realização das ações climáticas. Aos estudantes cabe a tarefa de um engajamento, do protagonismo e dos estímulos aos demais colegas. “Nada é feito de maneira isolada, mas coletiva, um constante estímulo para um protagonismo pautado na sustentabilidade”, esclarece.
COP30 e Observatório na região Amazônica
O fato de ocorrer tanto a COP30 em território brasileiro quanto o Observatório em região Amazônica garantem diferenciais para ambos. “Não basta afirmarmos que temos os pulmões do mundo. O Irmão Paulo Soares orienta que a COP não pode ser vista apenas como um evento de líderes ou especialistas, porque a crise climática afeta a todos e exige mudanças no cotidiano de cada pessoa. “Para que as questões ambientais sejam sentidas na rotina, é preciso transformar o cuidado com o planeta em gesto diário: reduzir o consumo, repensar hábitos, educar com consciência, viver a fé com compromisso ecológico e cultivar, em casa e na comunidade, uma cultura do cuidado e da responsabilidade comum”.
Na visão de um dos idealizadores e membro do Comitê Organizador do Projeto Observatório Marista do Clima, a COP30 no Brasil tem muito a ensinar. Segundo ele, assim como países com realidades diferentes precisam pactuar soluções conjuntas, também na escola e na vida é preciso aprender a conviver com as diferenças e construir acordos que respeitem as vulnerabilidades de cada um. “O que quero dizer com isso é que Belém se torna não um ponto de chegada, mas um ponto de partida para estimular a educação brasileira a se engajar e se mobilizar com as questões climáticas. É capaz de mobilizar as instituições educacionais a reorganizar os seus itinerários pedagógicos em vista de uma ética ecológica”.
Reutilização da água da chuva por meio de um sistema de captação de água
O Colégio Marista Glória, de São Paulo, desenvolveu um projeto inovador voltado à sustentabilidade, por meio do Observatório Marista do Clima. A iniciativa envolve professores e estudantes do Ensino Fundamental e Médio em uma jornada prática de busca por soluções ambientais reais.
Sob orientação do professor Wagner Eduardo Gonçalves, os alunos João Savegnago da Silva e Rafaela Meneghel vão apresentar uma das quatro soluções desenvolvidas ao longo de 2025: um sistema de reaproveitamento da água da chuva no próprio colégio. O projeto surgiu da observação de que o pátio da escola, com piso impermeável, poderia servir como área de captação de água. A partir daí, os estudantes, integrando saberes de diferentes áreas, como ciências, finanças e marketing criaram uma proposta que utiliza plantas aquáticas (aguapés e gigogas) para filtragem natural da água, direcionando-a para uso em pias e na limpeza da escola.
Sobre o Marista Brasil:
O Marista Brasil é uma rede de colégios e escolas presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 96 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: maristabrasil.org/