Mangueira promete desfile ‘sensorial’, com cheiros e sons em carros

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A Estação Primeira de Mangueira, uma das mais emblemáticas escolas de samba do Rio de Janeiro, prepara-se para encerrar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial com uma proposta verdadeiramente inovadora: uma experiência sensorial completa na Marquês de Sapucaí. Longe de ser apenas um espetáculo visual, a verde e rosa promete mergulhar o público em um universo de aromas e sonoridades, elevando o desfile de carnaval a um novo patamar de imersão. Esta abordagem pioneira busca não só contar uma história, mas fazer com que o espectador a vivencie através de múltiplos sentidos, transformando a arquibancada em um palco de percepções intensificadas.

A imersão sensorial da Mangueira na Sapucaí

Sob a batuta do carnavalesco Sidnei França, que assina seu segundo desfile pela Mangueira, a escola concebeu um enredo que vai além da tradicional narrativa, buscando engajar a audiência de uma maneira mais profunda e integrada. França revelou que a inspiração para essa abordagem multisensorial surgiu de sua vivência no Amapá, onde teve contato direto com um ambiente de percepção sensível e rica conexão com a natureza. A ideia central é criar uma atmosfera imersiva, comparável a um “cinema 3D”, onde cheiros e sons se somam à grandiosidade visual das alegorias e fantasias, permitindo que o público compreenda e sinta a mensagem da escola em sua plenitude.

O universo aromático e sonoro do enredo

A estratégia sensorial da Mangueira é cuidadosamente planejada para cada setor da avenida. No abre-alas, por exemplo, o público será saudado não apenas pela imponência visual, mas também por uma sinfonia de sons de pássaros, evocando a exuberância da floresta, e pelo aroma marcante de patchouli. Este óleo essencial, com suas notas terrosas e amadeiradas, é bastante típico do Norte do Brasil e já foi introduzido ao público da Sapucaí em desfiles anteriores, conectando-se diretamente à temática amazônica e à figura de Mestre Sacaca. A jornada olfativa se estende: o segundo carro trará a calma da alfazema, o terceiro, o frescor do alecrim, e o quinto, a nostalagia e a vivacidade do cheiro de terra molhada, cada um contribuindo para a construção de um cenário olfativo que acompanha o desenvolvimento do enredo.

Paralelamente aos aromas, uma rica paisagem sonora será construída. Enquanto o abre-alas entoa o canto dos pássaros, transportando os espectadores para o coração da mata, a última alegoria surpreenderá com a potência e a diversidade da fauna amazônica. Sons de onças, macacos e mais pássaros se mesclarão, criando uma experiência auditiva que reforça a ligação do enredo com a vida selvagem e os ecossistemas do Amapá. Essa orquestração de sons e cheiros não é aleatória; cada elemento foi escolhido para aprofundar a narrativa e fortalecer a conexão emocional do público com a história que a Mangueira traz para a avenida.

Mestre Sacaca e o Encanto Tucuju: A essência do enredo

O coração do enredo da Mangueira é dedicado à figura do amapaense Raimundo dos Santos, mais conhecido como Mestre Sacaca, o ‘mago das ervas’. Sacaca é uma lenda viva, um curandeiro e benzedor que se tornou referência na região amazônica por seu profundo conhecimento sobre plantas medicinais e rituais tradicionais. Sua vida e sabedoria inspiram a escola a explorar não apenas uma biografia, mas a riqueza cultural e espiritual de um povo. O enredo não se limita a contar a história de um homem, mas a reverenciar a ancestralidade, a oralidade e a preservação dos saberes indígenas e afro-brasileiros que Mestre Sacaca personifica e difunde.

Mais do que uma homenagem individual, o enredo aborda o ‘encanto tucuju’, que representa a vivência e o misticismo do povo amapaense. ‘Tucuju’ é o termo pelo qual os habitantes originários do Amapá são conhecidos, e o ‘encanto’ refere-se à magia, aos mistérios e à rica cosmologia dessa cultura. A Mangueira busca traduzir para a Sapucaí a força das crenças populares, a relação intrínseca do homem com a natureza e a espiritualidade que permeia o dia a dia na região. É um convite para o público adentrar um universo de mitos, lendas e a sabedoria ancestral que resiste e floresce na Amazônia.

A representação do Amapá na avenida

A grandiosidade geográfica do Amapá será fielmente retratada nas alegorias da Mangueira. O enredo levará para a passarela do samba símbolos marcantes da região, como o Oiapoque, que representa o extremo norte do Brasil e a divisa com a Guiana Francesa, carregado de significado histórico e geográfico. Os rios, veias pulsantes da Amazônia, também ganharão destaque nos carros, simbolizando a vida, a fertilidade e as rotas de saberes e trocas culturais. Através de representações visuais impactantes, a escola busca não só informar, mas transportar o espectador para a realidade vibrante e muitas vezes pouco conhecida do estado do Amapá, celebrando sua singularidade no cenário nacional.

Simbolismo e tradição: As alas e seus adereços

A riqueza simbólica do enredo se estende às alas da escola, onde muitos componentes usarão barbas postiças, um adereço com profundo significado cultural. A inspiração para esse elemento vem dos pretos velhos e curandeiros, figuras veneradas nas religiões de matriz africana e nas tradições populares brasileiras. Os pretos velhos são espíritos de luz, símbolos de sabedoria, humildade, resiliência e poder de cura. Ao homenageá-los, a Mangueira não apenas celebra esses guardiões do conhecimento ancestral, mas também reforça a mensagem de cura e reconexão com a natureza, elementos centrais na figura de Mestre Sacaca. As barbas longas e brancas representam a experiência e a passagem do tempo, honrando a memória e a influência desses mestres espirituais na formação da identidade cultural brasileira.

A Mangueira no cenário do carnaval carioca

A Estação Primeira de Mangueira tem um legado de inovações e de desfiles que marcaram a história do carnaval. Sua trajetória é pontuada por enredos que resgatam a cultura brasileira, homenageiam grandes personalidades e, muitas vezes, trazem à tona questões sociais relevantes. Ao propor um desfile com uma dimensão sensorial tão acentuada, a Mangueira reafirma sua posição como uma das escolas mais vanguardistas e influentes. Este projeto não só promete ser um dos pontos altos da temporada, mas também estabelece um novo paradigma para a experiência do carnaval, desafiando a percepção do público e a própria forma de se fazer e sentir o desfile na Sapucaí.

O futuro dos desfiles: Uma experiência para todos os sentidos

A iniciativa da Mangueira de integrar sons e cheiros de forma tão proeminente em seu desfile pode ser um prenúncio de uma nova era para o carnaval. À medida que as escolas buscam se reinventar e oferecer espetáculos cada vez mais grandiosos e envolventes, a aposta em experiências multisensoriais emerge como um caminho promissor. Além de entreter, a proposta da verde e rosa convida à reflexão sobre a riqueza da cultura amazônica e o papel vital dos saberes tradicionais. Este desfile não é apenas uma performance, mas uma ponte entre a tradição e a modernidade, um lembrete de que a arte pode e deve tocar todos os nossos sentidos para uma compreensão mais completa e um impacto duradouro.

O desfile da Mangueira promete ser um marco, um espetáculo que transcende o visual e convida a uma imersão completa. Para não perder nenhum detalhe dessa e de outras notícias que moldam o cenário cultural e jornalístico do Rio de Janeiro e do Brasil, continue navegando no SP Notícias. Mantenha-se informado com análises aprofundadas, reportagens exclusivas e o olhar atento de quem entende de perto os grandes acontecimentos!

Fonte: https://oglobo.globo.com

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