O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um porta-voz em Minas Gerais para fazer um evento com evangélicos, segmento da população em que enfrenta alta rejeição. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) conversou com o petista e se ofereceu para organizar um encontro com congregações da Igreja Batista, segundo apurou a Coluna do Estadão. Lula, contudo, deverá adotar um critério para comparecer à solenidade, segundo interlocutores: é preciso uma garantia de que ele não será vaiado.
Viana foi o único parlamentar fora da base governista convidado para um jantar, no último dia 2, de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e outros senadores. Na ocasião, os aliados fizeram avaliações sobre a gestão petista. Muitos dos presentes viram Viana como um “corpo estranho” no local. O senador do Podemos foi chamado justamente para dar a Lula um diagnóstico sobre a relação com os evangélicos.
Segundo relatos, Viana avaliou que o governo precisa retomar imediatamente diálogo com os evangélicos, mas que o PT também precisa ajudar. O senado aposta que reduzir a rejeição entre os religiosos pode ser um caminho para Lula recuperar espaço na eleição de 2026, já que a direita, na interpretação dele, está muito dividida.
Viana avalia trocar de partido e ingressar no União Brasil, sigla que integra a base aliada de Lula. Nesse cenário, segundo interlocutores, o senador pode compor uma chapa governista em Minas nas eleições do ano que vem garantindo palanque para o petista.
Em 2022, Viana era filiado ao PL e foi aliado de Jair Bolsonaro, mas se afastou do ex-presidente após ser preterido na disputa pelo governo de Minas Gerais.

Além de Alcolumbre, Gleisi e Viana, o jantar contou com a presença do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), do líder petista no Senado, Jaques Wagner (BA), e dos senadores Cid Gomes (PSB-CE), Efraim Filho (União-PB), Weverton Rocha (PDT-MA), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Leila Barros (PDT-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Rogério Carvalho (PT-SE), Eliziane Gama (PSD-MA), Renan Calheiros (MDB-AL) e Otto Alencar (PSD-BA).