

O engenheiro Luís Junior, da Valha Consultoria, destaca especialistas que tratam sobre o crescimento do mercado de veículos subaquáticos autônomos, sobre a convergência entre tecnologia, segurança e eficiência operacional nas inspeções, manutenção e exploração em profundidades oceânicas, integrando inovação autônoma e liderança humana em missões complexas.
Mercado global de AUVs ganha tração
O mercado global de veículos subaquáticos autônomos (AUVs) e veículos operados remotamente (ROVs) está em franco crescimento, impulsionado pela crescente demanda por exploração, inspeção e manutenção em ambientes marinhos complexos e de difícil acesso. Relatórios de mercado da Data Bridge Market Research apontam que o setor de autonomous underwater vehicle deve atingir valores substanciais nos próximos anos, com projeções de crescimento robusto no uso desses sistemas em aplicações industriais, científicas e de defesa. Análises apontam que o mercado global de robótica subaquática, incluindo AUVs e ROVs, registrou um tamanho significativo em 2024, com previsão de expansão acelerada até 2032 e além, refletindo investimentos crescentes em energia offshore, pesquisa oceanográfica e monitoramento ambiental.
A tecnologia ROV, caracterizada pela operação remota com controle humano em tempo real, continua sendo fundamental para atividades críticas de manutenção, intervenção e suporte offshore. Parcerias industriais e avanços em sistemas de propulsão, sensores e navegação permitem que ROVs desempenhem atividades cada vez mais complexas em instalações de petróleo e gás, bem como em projetos de energia renovável subaquática. Estudos de mercado da Mordor Inteligence indicam que ROVs representam a maior parcela das implantações robóticas submarinas atualmente, embora veículos autônomos estejam ganhando terreno em missões de larga escala.
Veículos autônomos, por sua vez, estão redefinindo o escopo de operação subsea ao permitir missões extensas de levantamento, mapeamento e inspeção sem necessidade de intervenção constante de operadoras em superfície. Relatórios de tendências destacam que plataformas AUV estão integrando cada vez mais inteligência computacional para navegação autônoma e coleta de dados em alta resolução, reduzindo a dependência de embarcações de suporte e otimizando custos operacionais.
Para Igor Barcelo Uchoa de Castro, Lead Subsea Robotics & ROV Operations Supervisor com mais de 22 anos de experiência em operações offshore, essa evolução tecnológica representa uma mudança de paradigma nas operações submarinas. “A integração de AUVs e ROVs não está apenas acelerando processos de inspeção e manutenção; está transformando a forma como entendemos a segurança, a eficiência e o risco em ambientes de alto risco como plataformas e campos submersos”, afirma Igor, especialista em gerenciamento de missões profundas e integração de sistemas robóticos avançados.
Padronização regulatória e qualificação operacional
A expansão do mercado de AUVs e ROVs também está alinhada com movimentos de modernização industrial e regulamentação global. Organizações de referência, como a International Marine Contractors Association (IMCA), vêm publicando diretrizes para aprovação de simuladores e certificações operacionais, estabelecendo requisitos mínimos de competência, segurança e desempenho para treinamento de operadores e supervisores de ROVs, o que contribui para reduzir riscos em missões críticas e elevar a confiabilidade das operações subsea. Essas normas dialogam diretamente com a crescente complexidade dos projetos em águas profundas e ultraprofundas, que exigem maior previsibilidade operacional e controle de integridade de sistemas.
Contratos e avanço da robótica subsea no Brasil
Além disso, contratos recentes com companhias especializadas em robótica submarina reforçam a centralidade dos ROVs em inspeções, manutenção e intervenções offshore. Um exemplo é a contratação de serviços de robótica subsea no Brasil por grandes operadoras de energia, como noticiado pelo portal Offshore technology, que aponta a ampliação do uso de ROVs para inspeção estrutural, apoio a campanhas de perfuração e manutenção de ativos submarinos. O movimento acompanha a tendência global de expansão desse mercado, descrita em estudos setoriais sobre ROVs e veículos autônomos subaquáticos.
Projetos em águas profundas ilustram a mudança de patamar tecnológico
Esse contexto de mercado encontra paralelo direto na trajetória de Igor Barcelo Uchoa de Castro, que liderou operações ROV em projetos de alta complexidade técnica e risco operacional. Em campanhas como o FPSO Liza I (Guiana), onde coordenou atividades críticas de instalação e inspeção submarina, e no projeto Argerich-1 (Argentina), primeiro poço em águas ultraprofundas do país, a padronização de procedimentos, o uso intensivo de simulação operacional e a adoção de protocolos de segurança alinhados a boas práticas internacionais foram decisivos para cumprir janelas operacionais sem incidentes. “A maturidade regulatória e a evolução dos simuladores mudaram o jogo da robótica subsea: hoje, decisões em campo são cada vez mais baseadas em treinamento avançado e em análise preditiva”, avalia Igor.
Robótica submarina como vetor de competitividade
Para Igor, o avanço dos AUVs e ROVs redefine a forma como o setor offshore gerencia risco e custo. “A robótica submarina deixou de ser um apoio pontual e passou a ser um pilar estratégico para integridade de ativos, segurança operacional e proteção ambiental”, afirma. Segundo o especialista, a integração entre automação, análise preditiva e capacitação contínua das equipes será determinante para atender às exigências regulatórias e ambientais que moldam o futuro da exploração offshore e da expansão de projetos de energia marinha.
O movimento sinaliza que, nos próximos anos, competitividade no offshore estará cada vez mais associada à capacidade de operar com excelência técnica em ambientes submarinos complexos, transformando tecnologia em vantagem operacional mensurável. “A próxima fronteira envolve veículos capazes de aprendizado adaptativo, diagnósticos preditivos e tomada de decisão autônoma em tempo real, aliados à gestão humana que garante segurança, integridade estrutural e proteção ambiental em missões de alto impacto”, conclui o especialista.