FMI eleva projeção de crescimento do Brasil para 1,9% e reconhece benefício indireto da crise no Oriente Médio

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O Fundo Monetário Internacional divulgou nesta terça-feira (14) seu mais recente relatório de Perspectiva Econômica Global, no qual elevou de 1,6% para 1,9% sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026, numa revisão que chama atenção pelo momento em que ocorre: o mundo vive uma das mais graves crises energéticas e geopolíticas dos últimos anos, com o confronto entre os Estados Unidos e o Irã no Estreito de Ormuz pressionando os preços do petróleo e comprimindo as perspectivas de crescimento das economias importadoras de energia. Para o Brasil, paradoxalmente, a crise produz um efeito líquido modestamente positivo, conforme reconheceu o próprio FMI ao justificar sua revisão.

O fundamento dessa avaliação reside na condição do Brasil como um dos maiores exportadores de petróleo bruto do mundo, graças à produção do pré-sal operada pela Petrobras e por suas parceiras internacionais. Em cenários de alta das cotações internacionais do barril, o país exportador se beneficia do aumento das receitas de exportação, do fortalecimento das contas externas e da valorização dos ativos ligados ao setor energético. O FMI estimou que o efeito positivo da crise no Oriente Médio sobre o crescimento do PIB brasileiro seria da ordem de 0,2 ponto percentual, o que, somado à dinâmica interna da economia, justificaria a revisão ascendente da projeção.

A projeção de 1,9% do FMI coloca o organismo numa posição intermediária entre o conservadorismo do Banco Central, que projeta 1,6%, e o otimismo do Ministério da Fazenda, que trabalha com uma estimativa de 2,3%. O mercado financeiro, segundo o Boletim Focus, converge para 1,85%, número muito próximo da estimativa do Fundo. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, estima 1,8%, também em linha com o consenso. O Fundo projeta ainda inflação de 4,0% para o Brasil em 2026, cifra abaixo da mediana dos agentes financeiros consultados pelo próprio Banco Central, que é de 4,7%, sugerindo que o FMI avalia que a política monetária restritiva do Banco Central terá sucesso em ancorar as expectativas inflacionárias dentro de um patamar mais próximo da meta.

No cenário global, a leitura do Fundo é menos otimista. A projeção de crescimento da economia mundial foi reduzida de 3,3% para 3,1% em razão do impacto da guerra no Oriente Médio sobre a oferta de energia, do aumento dos custos de produção e transporte em escala global e da persistente incerteza sobre as condições de financiamento nos mercados emergentes. As economias de menor porte, especialmente as importadoras de petróleo sem alternativas energéticas desenvolvidas, são as mais penalizadas pelo cenário atual. O Brasil, por sua estrutura de matriz energética diversificada e por sua posição como exportador de commodities, encontra-se numa posição relativa significativamente mais favorável do que a maioria dos países em desenvolvimento.

Para o ano seguinte, contudo, a perspectiva do Fundo é mais comedida: a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2027 é de 2,7%, o que sinaliza uma recuperação mais robusta à medida que os efeitos da política monetária restritiva forem se dissipando e que as condições externas se normalizarem. A ressalva, porém, é que essa projeção depende de que a crise no Oriente Médio não se aprofunde além dos cenários atualmente contemplados pelos modelos do FMI.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
SP Notícias — Intellectus ex Veritate


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