Pesquisa também encontrou pistas inéditas sobre a biologia do sapo-cururu da Amazônia
Pesquisadores do Instituto Butantan identificaram, no veneno do sapo-cururu amazônico (Rhaebo guttatus), moléculas com potencial para combater bactérias. O estudo, publicado na revista científica Toxicon, também trouxe novas informações sobre a biologia da espécie, ainda pouco conhecida pela ciência.
A pesquisa analisou as proteínas presentes no veneno do animal e encontrou peptídeos, que são pequenos fragmentos de proteína, com possível ação antimicrobiana.
Segundo os cientistas, esse tipo de descoberta é importante porque a resistência de bactérias aos antibióticos tem crescido no mundo. Por isso, pesquisadores buscam na natureza novas substâncias que, no futuro, possam ajudar no desenvolvimento de medicamentos.
O trabalho foi conduzido pelo Instituto Butantan, com colaboração de equipes da Unifesp e da Fiocruz de Rondônia, que cedeu as amostras do veneno analisado.
Como o veneno ajuda o sapo
Nos sapos, o veneno fica armazenado em glândulas na pele.
Essa secreção funciona como uma forma de defesa. Ela protege o animal contra predadores e também contra vírus, bactérias e fungos presentes no ambiente.
Por isso, o veneno de anfíbios costuma reunir substâncias com diferentes efeitos biológicos, incluindo ação antibacteriana e antiviral.
No estudo, os pesquisadores usaram ferramentas computacionais para prever a função das moléculas encontradas. Essa etapa permitiu indicar quais peptídeos podem ter potencial para combater micro-organismos.
Descoberta inesperada
Além das moléculas com possível ação antibiótica, a pesquisa encontrou uma proteína chamada BASP1.
Segundo os autores, essa proteína ainda não havia sido identificada antes em venenos de sapos, rãs ou pererecas.
Ela é conhecida por aparecer no sistema nervoso de humanos e de outros animais. Agora, os cientistas investigam se essa proteína pode ter relação com a contração e a regeneração das glândulas da pele do sapo após a liberação do veneno.
O estudo também encontrou proteínas ligadas a:
- contração muscular
- estresse oxidativo
- imunidade do animal
O que a pesquisa mostra
Segundo o Butantan, o estudo não ajuda apenas na busca por novos compostos para a medicina.
Ele também amplia o conhecimento sobre a biologia básica do sapo-cururu amazônico, mostrando como o animal se defende e quais substâncias produz.
Os pesquisadores destacam que esse tipo de trabalho ajuda a responder perguntas simples, mas importantes, como:
- o que o animal secreta
- como ele reage ao ambiente
- de que forma se protege de ameaças
Como a análise foi feita
Para chegar ao resultado, os cientistas separaram apenas as proteínas presentes no veneno, em um tipo de análise chamado proteômica.
Primeiro, a secreção do sapo foi transformada em uma solução adequada para ser estudada em laboratório.
Depois, os componentes foram separados por cromatografia líquida e analisados em um espectrômetro de massas, equipamento que permite identificar as moléculas presentes na amostra.
Segundo os pesquisadores, o veneno do Rhaebo guttatus também mostrou semelhanças com o de outras espécies de sapo-cururu já conhecidas no Brasil e em outros países.
Espécie já chamou atenção por “espirrar” veneno
O mesmo sapo amazônico já havia sido tema de outro estudo do Butantan, publicado em 2011.
Na época, os pesquisadores mostraram que a espécie consegue ejetar veneno quando se sente ameaçada. O líquido é lançado pelas glândulas localizadas atrás dos olhos.
Segundo o instituto, foi a primeira vez que esse comportamento foi descrito na literatura científica.
Financiamento
A pesquisa teve apoio da:
- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)
- Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
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