Estudo da USP aponta que obesidade e inflamação aceleram desgaste pulmonar mesmo sem tabagismo

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Pesquisa com quase 900 adultos revela que fatores metabólicos também contribuem para perda precoce da função respiratória e risco de DPOC

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto (SP), indica que o envelhecimento precoce dos pulmões não está relacionado apenas ao cigarro. Obesidade e inflamação sistêmica também foram associadas à redução da função pulmonar e ao risco aumentado de desenvolver Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

O estudo acompanhou 895 adultos com menos de 40 anos, integrantes da chamada Coorte de Nascimentos de Ribeirão Preto, e foi publicado na revista BMC Pulmonary Medicine com apoio da FAPESP. A função pulmonar dos participantes foi avaliada em dois períodos distintos: entre os 23 e 25 anos e, posteriormente, entre os 37 e 38 anos.

Tabagismo lidera, mas não é o único vilão

Os resultados confirmam que o tabagismo continua sendo o principal fator de risco, associado a uma redução média de 1,95% da função pulmonar ao longo de 12 anos.

Entretanto, outros elementos também mostraram impacto significativo:

  • Cada aumento de 1 mg/dL na proteína C-reativa (marcador de inflamação) esteve ligado a uma queda de 0,76% na função pulmonar.
  • Cada aumento de 1 kg/m² no Índice de Massa Corporal (IMC) foi associado a uma perda adicional de 0,28% na capacidade respiratória.

De acordo com o coordenador do estudo, Elcio Oliveira Vianna, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, processos inflamatórios de baixo grau comuns em quadros de obesidade podem afetar diretamente o tecido pulmonar.

Inflamação sistêmica afeta os pulmões

A pesquisa sugere que a inflamação originada em outras partes do corpo, como o tecido adiposo, pode atingir os pulmões de forma contínua e silenciosa. Esse processo favoreceria o chamado envelhecimento pulmonar precoce, mesmo em pessoas jovens e sem diagnóstico prévio de doenças respiratórias.

Embora a DPOC seja tradicionalmente associada ao cigarro, os dados reforçam que se trata de uma condição multifatorial. A doença, caracterizada por inflamação e obstrução progressiva das vias aéreas, provoca falta de ar e limitações respiratórias irreversíveis.

Indícios precoces antes dos 40 anos

Mesmo fora da faixa etária típica de diagnóstico, os pesquisadores identificaram sinais iniciais de comprometimento pulmonar nos participantes avaliados. Isso indica que alterações metabólicas e inflamatórias podem antecipar o risco de desenvolver DPOC no futuro.

Segundo os autores, o estudo amplia a compreensão sobre a complexidade da doença e reforça a importância de estratégias preventivas que vão além do combate ao tabagismo, incluindo controle do peso corporal e monitoramento de marcadores inflamatórios.

A conclusão dos pesquisadores é que a saúde pulmonar depende de múltiplos fatores e que hábitos de vida e condições metabólicas têm papel decisivo na preservação da função respiratória ao longo da vida.

HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo
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