Enrico Caruso: a voz que ensinou o mundo a sentir

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Há vozes que impressionam. Outras que emocionam. E há aquelas raras que mudam o curso da história. Enrico Caruso pertence a esse último grupo. Há um filme que demonstra essa minha afirmação:
“The Great Caruso – O Grande Caruso”, estrelado por Mario Lanza, não é apenas uma cinebiografia. É uma confissão apaixonada sobre o poder da arte quando ela nasce da dor, do amor e da verdade humana.

Caruso é um autêntico napolitano. Filho do povo simples, das ruas onde a vida canta alto e o sofrimento se conhece desde cedo. No filme, essa origem não é romantizada, ela é fundamental. A grandeza de Caruso não está apenas na potência de sua voz, mas no fato de que cada nota estar
carregada de memória, de ausência, e claro, do seu desejo de transcendência. Ele não cantava para impressionar; cantava para que o “Bel Canto” existisse para o mundo.

Ao acompanhar sua trajetória até o Metropolitan Opera de Nova York, reconhecemos algo essencial: Caruso nunca tornou-se distante do homem que fora. Mesmo consagrado, mesmo aclamado, a sua interpretação permanecia visceral. Havia sempre um leve tremor, não de insegurança, mas de humanidade. Era como se, ao cantar, ele colocasse a própria alma em risco. O Grande Caruso entende que o verdadeiro drama não está nos aplausos, mas no silêncio que os antecede.

Voltando ao filme “ The Great Caruso” encontramos nas cenas de palco, a câmera que se detém no rosto, na respiração, e no instante exato em que nasce a voz. Ali, o espectador compreende: Caruso não interpretava personagens; ele os sofria. Canio, Radamès, Don José… todos passavam por ele como feridas abertas.

O filme também nos lembra que Caruso foi o primeiro grande artista da era moderna. Sua voz atravessou oceanos não apenas por meio dos teatros, mas pelos discos, levando a ópera a casas humildes, a ouvintes que jamais entrariam num teatro lírico. Ele tornou acessível o sublime. Transformou a ópera em experiência íntima!

Mas talvez o aspecto mais comovente seja a consciência do fim. A voz, esse milagre, era também frágil. O corpo não acompanhava o espírito. Caruso sabia que cantava contra o tempo e talvez por isso cantasse com tanta urgência. Cada apresentação parecia um adeus disfarçado de triunfo, de “gran finale”. Ao final, o grande Caruso, não nos deixa apenas com a lembrança de um tenor extraordinário, mas com uma certeza quase dolorosa: a arte verdadeira custa tudo de quem a oferece.

Enrico Caruso pagou esse preço com dignidade, com paixão e com uma voz que ainda hoje mais de um século depois continua a ensinar-nos a sentir. Há artistas que passam, e há aqueles que permanecem cantando dentro de nós. Este é:
Enrico Caruso.

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