De onde vem a fortuna de Toffoli e para onde vai a de Vorcaro?

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Dias Toffoli sai da relatoria do caso Master, mas a crise no Supremo continua e tende a piorar, embolando novas revelações contra o ministro com o constrangimento de Alexandre de Moraes, a posição delicada de André Mendonça, as divisões internas, a crise com a PF e a guerra política. Tudo isso com a corte sob um comando, digamos, difuso. Quem manda?

Só faltava gravarem clandestinamente a reunião fechada que selou a saída de Toffoli. Não falta mais. Quem leu os trechos entre aspas no site Poder 360 não tem dúvida de que se trata de uma degravação. Logo, alguém gravou e vazou e esse alguém só pode ser um dos ministros. Um escândalo dentro do escândalo.

Combo - Banco Master - Daniel Vorcaro x Dias Toffoli. Fotos: Fábio Vieira/Estadão e Wilton Junior/Estadão
Combo – Banco Master – Daniel Vorcaro x Dias Toffoli. Fotos: Fábio Vieira/Estadão e Wilton Junior/Estadão

Pedra cantada aqui, as próximas fases das investigações passam pela “busca aos tesouros”, com as “novidades” continuando a surgir aos borbotões, claro, pela mídia tradicional e independente. No Estadão, os repórteres Aguirre Talento e Eduardo Barretto estão entre os que caminham a passos largos.

Talento informa que, segundo a PF, com base nos celulares apreendidos, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 35 milhões para o resort Tayayá, que teve a família Dias Toffoli entre seus sócios e o próprio ministro do STF entre seus frequentadores, inclusive em festas de fim de ano com dezenas de convidados e nenhuma comanda.

Já Barretto fez uma pesquisa básica e chegou a uma conta aritmética que não fecha: se Toffoli é funcionário público (entre AGU e STF) há vinte anos e recebeu um total de R$ 8 milhões nesse tempo, como pôde ser sócio de um resort de alto luxo? Sem contar, claro, o que gastou em imóveis, festanças, viagens…

Vorcaro poderia estar dando gargalhadas, mas ele não tem nada a ganhar, só a perder, com a crise no Supremo. Primeiro: se Toffoli tinha que sujar tanto as mãos como relator, é porque tinha muita sujeira que continua vindo à tona. Segundo: se a origem da fortuna de Toffoli está sendo esmiuçada, o destino da de Vorcaro também. Alguém acredita que ele saiu dessa sem um tostão?

Curioso é o PP e o União Brasil, agora de mãos dadas numa federação partidária, lançarem nota pública em defesa de Toffoli e de ataque ao que consideram “injustiça” contra o ministro. Pois não é que a nota é assinada pelos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do UB, Antônio Rueda, sempre citados no escândalo Master? Detalhe: a nota saiu numa sexta-feira, 13. Azar de quem?

O foco está em André Mendonça, que foi nomeado para o STF por Jair Bolsonaro e acaba de ser sorteado para a relatoria do caso Master. Esses sorteios do Supremo são mesmo interessantes, passando a sensação de escolha por conveniência ou “por exclusão”.

Fachin é presidente, Carmen Lúcia já preside o TSE e é relatora do Código de Ética, Moraes está na linha de fogo, Dino tem guerra aberta com o Congresso, Gilmar é explosivo, Nunes Marques não é considerado confiável e Fux está isolado. Sobravam Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Mendonça, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro.

Trocar Toffoli por Zanin seria manter a mira em Lula e, por mais técnico e correto que fosse, seria acusado de favorecer o presidente candidato em tudo o que fizesse ou dissesse. Como Zanin, Mendonça também é discreto, cuidadoso, não entra em bolas políticas divididas e conquistou o respeito de seus pares e da PF. Há dúvidas se vai ou não enviar o inquérito para a primeira instância, mas não se ele tentará ser impecável. É sua biografia que está em jogo.

A expectativa, pois, é que o inquérito entre nos eixos. E o Supremo?

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