
Creio na comunhão dos santos
Nos dias 01 e 02 de novembro, a igreja celebrará duas comemorações das mais importantes e significativas para a vida católica: A solenidade de todos os Santos e a comemoração de todos os fiéis Defuntos.
Essas festas se complementam.
Chegando fim do ano litúrgico( também do civil), a santa mãe igreja nos quer preparar também para o nosso fim: A nossa salvação eterna, e nos livrar da eterna condenação, nos formando com a doutrina dos novíssimos do homem: Morte, juízo, inferno e paraíso.
As leituras, as orações e as solenidades últimas do tempo Litúrgico, nos prepara para essas realidades, é assim, iniciamos o mesmo de novembro já com esses pensamentos, que morremos e que temos uma eternidade a nossa espera, uma com Deus feliz para sempre: O céu, da qual boa parte das almas chega após passar pelo purgatório, e outra infeliz sem Deus para sempre (O inferno).
No dia 01 de novembro, a igreja militante (os vivos, que militam sobre o estandarte de Cristo Rei), olham confiantes e jubilosos para a igreja triunfante (Os santos no céu, que já contemplam a visão beatifica), e ao olhar para eles, contemplam a sorte que os espera, a vida eterna em Deus, a coroa da glória que Deus os reservou e os preparou nas moradas eternas, o descanso dos trabalhos dessa vida, a justiça que o Bom Deus fará aos justos.
Ao olhar para os santos, nossa vida se enche de grandes desejos, como escreveu São Bernardo no seu sermão sobre todos os santos, desejamos ardentemente alcançar o que já alcançaram e receber o que já recebem.
Olhamos com alegria para aqueles que são para nós modelos e espelho da perfeição da vida cristã.
Como Santo Agostinho já refletia: “Si isti et istae possunt, cur non ego?”
“Se eles puderam, porque eu não?” Cada cristão deve se interrogar, se os santos se abriram a graça de Deus e foram santificados, porque não podemos fazer o mesmo?
São Paulo apóstolo nos diz:
“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (São Paulo aos Romanos 8:35-39)
portanto, o que nos falta para também sermos santos? Que porventura, é a vocação primeira de todos os batizados, ser santos, lumen Gentium capítulo 5 “Todos os fiéis de Cristo, de qualquer categoria ou status, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade;… Eles devem seguir os Seus passos e conformar-se à Sua imagem, buscando a vontade do Pai em todas as coisas. Eles devem se dedicar com todo o seu ser à glória de Deus e ao serviço do próximo.”
Já no dia 02, a Igreja militante mais uma vez volta seu olhar dessa vez para a igreja padecente, os fiéis Defuntos, as almas dos fiéis que padecem no purgatório, aqueles cristãos que encerraram suas vidas nessa terra, e após sua morte, compareceram ao tribunal divino, e não estando ainda maduros na santidade, precisando de alguns ajustes ainda, apresentando deficiências nas virtudes, foram se purgar, se purificar no purgatório, antes de entrarem na casa de Deus.
Assim como pergunta o salmo. ” Senhor, quem habitará em sua casa? Quem vai morar no seu monte santo?
Aquele que caminho e prática a justiça fielmente….” (Salmo 15)
Logo, antes de entrarem ao céu, precisarão se purificar das penas de seus pecados, quando cometemos o pecado, acontecem duas coisas: a culpa e a pena, a culpa é perdoada no batismo, no batismo se perdoa todos os pecados atuais se o há, e após o batismo, os que cairam em pecado são absolvidos na confissão.
Porém, ainda resta a pena, essa pagaremos ou nessa vida com orações, esmolas, jejuns e penitências, ou na vida futuro, no purgatório.
O pecado, tal como um prego batido deixa um marca, após confessado, ele ainda precisa ser reparado, essa reparação é o purgatório, por meio do fogo, purifica as almas nas penas e desmantelos que o pecado causo na alma antes de entrar na bem-aventurança eterna.
Vemos portanto que o purgatório não é segunda chance ou uma via intermediária, como bem dizia Santa Catarina de Sena, o purgatório é a ante-sala do céu, aquelas almas morreram em graça, com certo nível de santidade, mas não o suficiente para o céu, e antes de lá estarem, elas são limpas das penas dos seus pecados.
São duas festas belíssimas e que se completam, onde na comunhão de uma e mesma igreja, nós rezamos pela igreja padecente, e a igreja triunfante reza por nós, a igreja militante.