

Processo pode levar até dois anos e exige planejamento acadêmico, organização documental e preparo financeiro para quem quer internacionalizar a carreira
A possibilidade de internacionalizar a carreira tem despertado o interesse de profissionais da saúde formados no Brasil. Entre os dentistas, Portugal se consolidou como principal porta de entrada para atuação na Europa, mas o processo de validação do diploma exige planejamento acadêmico, organização documental e atenção às regras locais.
Segundo o advogado Marcus Damasceno, especialista em validação de diplomas brasileiros na Europa, não existe um acordo automático entre Brasil e Portugal que dispense etapas formais. “Cada universidade portuguesa segue critérios próprios, baseados na legislação nacional. O reconhecimento depende da análise individual do histórico acadêmico e do enquadramento do candidato”, explica.
Dois caminhos para validação
Atualmente, há duas principais alternativas para dentistas brasileiros que desejam atuar em Portugal e, posteriormente, em outros países da União Europeia.
A primeira é o reconhecimento específico do diploma. O candidato passa por análise documental e, se aprovado, realiza uma prova teórica com 200 questões, com duração de 200 minutos, sendo necessário alcançar pelo menos 50% de aproveitamento. A etapa final envolve a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso. Com a aprovação, o profissional recebe a certidão de reconhecimento, que permite solicitar inscrição na Ordem dos Médicos Dentistas.
Esse caminho, no entanto, depende do enquadramento acadêmico do candidato e não está disponível para todos os perfis.
A segunda opção é o Mestrado Integrado em Medicina Dentária (MIMD). Nesse modelo, o profissional se candidata a uma das sete universidades portuguesas que oferecem o curso. Após aprovação, a instituição pode creditar disciplinas já cursadas no Brasil. O candidato conclui as matérias restantes e, ao final, recebe diploma europeu válido para atuação em Portugal e em outros países da União Europeia.
Ainda é possível ingressar em 2026?
Sim, mas os prazos já estão em andamento. “Muitas universidades publicaram seus editais e algumas candidaturas estão abertas. Quem deseja iniciar o processo precisa reunir a documentação com antecedência e respeitar os calendários específicos”, afirma Damasceno.
Tempo e custos
O processo completo pode levar entre um e dois anos, dependendo da universidade escolhida, da análise documental e da eventual creditação de disciplinas.
Os custos variam conforme o caminho adotado. No reconhecimento específico, as taxas universitárias costumam ficar entre 900 e 1.200 euros, além de despesas com traduções juramentadas, apostilamento e taxas administrativas.
No Mestrado Integrado, algumas universidades exigem previamente a certidão de reconhecimento de nível, cujo valor pode variar entre 75 e 800 euros. Soma-se a isso a propina anual, seguros e outras despesas acadêmicas.
“Só após a definição da universidade é possível ter uma estimativa precisa do investimento total”, destaca o especialista.
Após a validação
A conclusão acadêmica não autoriza automaticamente o exercício da profissão. O dentista ainda precisa se inscrever na Ordem dos Médicos Dentistas em Portugal. Profissionais sem cidadania europeia devem solicitar visto ou autorização de residência junto à AIMA, agência responsável pelas questões migratórias.
Para Damasceno, o principal diferencial está na preparação prévia. “Validar o diploma é possível, mas exige estratégia, organização documental e planejamento financeiro. Tratar o processo como um projeto de carreira aumenta significativamente as chances de sucesso”, conclui.
Sobre o especialista Marcus Damasceno
Advogado no Brasil e em Portugal, com escritório em Lisboa – Portugal.
Especialista em Imigração Médica e em Direito do Trabalho.
Mestrando em Direito pela Universidade de Lisboa.
Palestrante sobre internacionalização de carreira médica e gestor do escritório especializado em Imigração Médica para Portugal