No coração do Mato Grosso, uma proposta inusitada tem agitado o cenário político e jurídico: a criação de um novo município batizado de “Gilmarlândia”, em homenagem ao ministro do STF, Gilmar Mendes. A ideia, que surgiu em Nova Aliança do Norte, reacendeu um debate antigo sobre dívidas judiciais e a gestão de recursos públicos na região.
O município de Nova Aliança do Norte pode se tornar o 143° do estado, mas antes disso, a Justiça determinou o bloqueio das ações da Eucatex, empresa de propriedade da família do ex-prefeito, como medida para garantir o pagamento de dívidas pendentes com o município.
Essa pendência judicial tem raízes em operações financeiras realizadas na década de 90, quando o então prefeito utilizou recursos do município para comprar e vender títulos da dívida pública. Essas operações resultaram em um prejuízo de R$ 1,2 milhão aos cofres da cidade, valor que, corrigido, chega a R$ 7,6 milhões atualmente.
Durante o processo, o ex-prefeito alegou que as operações foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município e que ele não participou diretamente das transações, que teriam sido conduzidas por seus subordinados. Ele também argumentou que as operações, quando consideradas em um contexto mais amplo, trouxeram benefícios à cidade. No entanto, o desembargador Paulo Travain rejeitou os argumentos, afirmando que a diferença entre o valor de venda e o de recompra dos títulos configurava prejuízo evidente ao erário, classificando as operações como ilegais e lesivas ao patrimônio público.
O que esperar?
Com o bloqueio das ações da Eucatex, a Justiça busca encerrar a execução do valor restante devido ao município. A expectativa é que, com a quitação da dívida, o projeto de criação do município de Gilmarlândia possa avançar, embora a homenagem ao ministro do STF continue a gerar controvérsia e debates acalorados na região.
O caso de Nova Aliança do Norte serve como um lembrete da importância da transparência na gestão pública e da necessidade de garantir que os recursos sejam utilizados em benefício da população. Resta saber se “Gilmarlândia” se tornará realidade e qual será o impacto dessa homenagem na história do Mato Grosso.