Carnaval de SP enfrenta críticas por falta de banheiros; blocos alugam sanitários para conter xixi nas ruas

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Redução de 30% nos banheiros químicos gera filas, reclamações e mobiliza blocos a investir com recursos próprios; Prefeitura afirma que estrutura segue padrão de anos anteriores

O Carnaval de rua de São Paulo voltou a registrar queixas sobre a falta de banheiros químicos em diferentes regiões da capital. Foliões relatam filas extensas, ausência de sanitários em trechos inteiros dos cortejos e aumento de casos de urina nas vias públicas. Neste ano, o número de equipamentos disponíveis caiu cerca de 30% em comparação com 2025.

A Prefeitura disponibilizou 1,9 mil banheiros químicos por dia, totalizando 15,3 mil diárias ao longo dos oito dias de programação oficial. O contrato firmado com a SPTuris prevê investimento de R$ 4,1 milhões na estrutura. No ano passado, foram executadas 21,7 mil diárias embora o planejamento inicial previsse ao menos 33 mil.

A edição de 2026 conta com mais de 600 desfiles e expectativa de público de 16,5 milhões de pessoas, segundo a administração municipal.

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a infraestrutura “foi projetada considerando a magnitude da festa e o padrão adotado em edições anteriores, bem-sucedidas”. A Prefeitura acrescentou que a previsão inicial era de 16 mil diárias, com possibilidade de ampliação conforme a demanda.

Reclamações se espalham pela cidade

No sábado (14), foliões do Bloco Manada, na Barra Funda (zona oeste), relataram falta de sanitários ao longo do percurso. Situação semelhante foi registrada no bloco Filhos de Plutão, na Vila Romana, também na zona oeste.

No trajeto do Bloco Bastardo, em Pinheiros, a reportagem identificou apenas três pontos com banheiros químicos ao longo de um percurso que levou cerca de duas horas para ser completado pelos foliões. Comerciantes e funcionários de condomínios da região relataram a necessidade frequente de intervir para evitar que participantes urinassem nas fachadas.

Estabelecimentos comerciais também passaram a restringir o uso dos sanitários. Alguns exigem consumo mínimo, enquanto outros cobram valores que chegam a R$ 10 pelo acesso.

Nas redes sociais, as críticas se multiplicaram. Comentários cobrando “infraestrutura adequada” e questionando a redução do número de banheiros foram direcionados às publicações oficiais da Prefeitura.

Manifesto de blocos e soluções próprias

Na semana anterior, 46 blocos assinaram um manifesto apontando problemas estruturais no Carnaval deste ano, entre eles a insuficiência de banheiros químicos. O documento reúne agremiações tradicionais como Saia de Chita, Bastardo, Ritaleena, A Espetacular Charanga do França e Filhos de Gil.

Diante do cenário, alguns blocos decidiram contratar sanitários extras com recursos próprios.

Fundado em 2013, o bloco Cerca Frango alugou banheiros pela primeira vez neste ano. Segundo Erick Roza, um dos organizadores, a decisão foi tomada após sucessivas experiências de falta de estrutura.

“Sempre mapeamos pontos estratégicos e indicamos à Prefeitura onde os banheiros deveriam ser instalados. Mas, todo ano, a quantidade é menor do que o necessário e muitas vezes em locais equivocados. Neste ano, optamos por contratar onde sabemos que são áreas sensíveis”, afirmou.

O bloco alugou oito sanitários para o desfile desta terça-feira (17), na Vila Romana. O custo foi coberto por meio de arrecadação interna e patrocínios.

A insuficiência também levou a questionamentos sobre a efetiva entrega da estrutura prometida. “Como nosso bloco ainda não saiu, não sabemos se os banheiros previstos estarão realmente disponíveis”, completou Roza.

Impacto na organização e no espaço público

Além do desconforto dos foliões, a falta de sanitários amplia o risco de infrações municipais já que urinar em via pública pode gerar multa em São Paulo e tensiona a relação com moradores e comerciantes.

O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Santa Cecília/Campos Elíseos/Higienópolis informou ter sido procurado por moradores preocupados com a situação e classificou o contrato dos banheiros como “absurdo” em publicação nas redes sociais.

Enquanto a Prefeitura sustenta que o planejamento segue critérios técnicos, blocos e frequentadores defendem que a estrutura precisa acompanhar o crescimento do Carnaval paulistano, que nos últimos anos consolidou-se como um dos maiores do país.

HostingPRESS Agência de Notícias de São PauloConteúdo distribuído por nossa Central de JornalismoReprodução autorizada mediante crédito da fonte

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