Brasil é foco de investimentos em data center, diz AWS ao CNN Money

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A AWS (Amazon Web Services) considera o Brasil um foco de atenção do mundo em relação à tecnologia em nuvem e inteligência artificial, afirmou o diretor-geral da companhia no Brasil, Cleber Morais, em entrevista ao CNN Money.

“Nós capacitamos no Brasil mais de 800 mil pessoas e criamos uma base muito forte. Eu garanto que o país é um foco de investimento global e a capacidade dos nossos desenvolvedores é motivo de exportação global”, destacou Morais.

O diretor também ressalta que a AWS está comprometida com os diálogos no país e vem tratando com o governo brasileiro sobre a regulação do serviço de nuvem.

“Nosso compromisso é participar das discussões para que a regulação atenda às necessidades dos clientes, dos usuários e o regulatório junto ao governo”, afirma.

A seguir, confira os principais pontos da entrevista exclusiva de Cleber Morais ao CNN Money.

AWS fala sobre IA, tecnologia em nuvem e potencial brasileiro

Como a AWS observa o potencial brasileiro no que tange investimentos em data centers e serviço de nuvem?

Identificamos que 93% das empresas no Brasil começaram a explorar as ferramentas de IA. Mais do que isso, 89% estão executando experimentos e começando a ter um retorno. O grande potencial que enxergamos no Brasil é que apenas 20% dessas empresas fizeram migrações para o ambiente de nuvem.

No que diz respeito à regulação, esse é um dos principais temas que temos ajudado e trabalhado junto ao governo. Somos os principais desenvolvedores e implementadores mundiais de ferramentas que ajudam nesse serviço, e trabalhamos de forma a manter o ambiente seguro, protegido e responsável.

O compromisso aqui no Brasil é participar das discussões para que a regulação atenda às necessidades dos clientes, dos usuários e o regulatório junto ao governo.

O desenvolvimento de fontes renováveis de energia pode ajudar o setor a se desenvolver no país?

Energia renovável é o maior desafio que se encontra na atualidade. A Amazon tem compromissos globais, como o Climate Pledge, de atingir emissão de carbono zero até 2040.

Em relação ao Brasil, o fato de o país ter disponibilidade de energia sustentável, energia limpa, faz com que globalmente sejamos um polo de investimento em infraestruturas de data center.

Internamente, temos feito investimentos de maneira forte para criar energia limpa. Um exemplo é o Parque Solar, que anunciamos com investimento de mais de R$ 2 milhões aqui no Brasil; e o Complexo Eólico do Seridó, no Rio Grande do Norte, para atender a necessidade de energia limpa.

Fizemos uma pesquisa com a Century, que mostra que a infraestrutura da AWS é 4,1 vezes mais eficiente que um data center local. Ou seja, migrar suas cargas de um data center tradicional para o data center da nuvem o torna mais eficiente; e isso traz uma associação com a utilização de carbono, reduzindo em 99% a emissão.

A empresa encontra interessados pela tecnologia no país?

Estamos presentes no Brasil há 14 anos, onde, ao longo dessa jornada, já investimos mais de US$ 5,6 bilhões em infraestrutura de data center. Encontramos no país um celeiro para investimentos em tecnologia.

Quando viemos para cá, as primeiras empresas que utilizaram a tecnologia de nuvem para atender os seus negócios foram startups, que hoje representam o Brasil globalmente. Destaco Nubank, Vitex, QuintoAndar e Hotmart, que usaram a nuvem como forma de inovar.

No momento seguinte, tivemos várias fintechs e, mais recentemente, grandes empresas começaram a fazer essa migração. Itaú, Petrobras, Boticário e Natura mostram a força que o Brasil traz globalmente em ter tecnologia como diferencial competitivo.

O Brasil é um foco de investimento global e a capacidade dos nossos desenvolvedores é motivo de exportação global.


Diretor-geral da AWS no Brasil, Cleber Morais
Diretor-geral da AWS no Brasil, Cleber Morais • Divulgação

Como a AWS encara os questionamentos aos grandes investimentos em IA, após o desenvolvimento de tecnologias eficientes e baratas na China?

A Amazon investe em inteligência artificial e machine learning há mais de 25 anos. Desde o momento onde usamos robôs dentro dos nossos centros de distribuição para acelerar toda a entrega, desde o momento que a gente analisa o perfil do nosso cliente para fazer uma oferta de negócio, esse tem sido o nosso histórico.

Diria que estamos no início de uma nova revolução tecnológica, que é essa revolução dos agentes reais. Isso tem feito realmente com que o negócio dos nossos clientes se transforme de maneira muito intensa.

Diria que aquele cliente que hoje não está usando inteligência artificial no seu dia a dia está começando a ficar defasado com o mercado. É por isso que temos investido tanto. O compromisso da AWS foi investir US$ 100 milhões em IA generativa em vários segmentos, desde a fabricação de um chip até arquiteturas para ajudar os nossos clientes, como o Bedrock, que traz mais segurança, acesso e controle do seu dado.

Tem muito por vir nessa área e a AWS vem democratizando o uso da inteligência artificial e fazendo com que os clientes acelerem, da mesma forma que nós fizemos aqui no Brasil com o advento da nuvem, que nós criamos uma base mercadológica, referência para o mundo todo.

Quais são os próximos passos para a operação no Brasil?

O Brasil sempre foi foco dos nossos investimentos globais, foi a oitava região do mundo que tomamos a decisão de construir centros computacionais. No ano passado, em setembro, anunciamos o investimento de R$ 10,1 bilhões [na construção de data centers].

Investimos também em capacitação para mais de 800 mil pessoas entenderem a tecnologia de nuvem. Temos o compromisso global de ajudar a treinar e capacitar mais de 29 milhões de pessoas até 2025, e já atingimos essa meta em mais de 2 milhões.

No Brasil temos exemplos como o Insper, que tem trabalhado em capacitar seus alunos para utilizar inteligências artificiais. Também parcerias com clientes como Localiza, iFood, Itaú e Santander.

A AWS esteve presente nas reuniões do governo com big techs para tratar do tarifaço. Qual a percepção sobre esse momento?

O grupo Amazon, como um todo, anunciou este mês que investimos R$ 55 bilhões no Brasil, mostrando o compromisso em ajudar o governo brasileiro a conversar com os Estados Unidos.

Os brasileiros, empresas brasileiras e o governo do Brasil podem contar com a Amazon Brasil no que diz respeito ao apoio, para continuarmos tendo boas relações ao longo da história com todos os governos.

Sobre a regulamentação de IA e das big techs, como a Amazon encara a realidade brasileira?

Somos os principais desenvolvedores e implementadores de ferramentas e serviços de inteligência artificial. Então, a Amazon e a AWS estão comprometidas em colaborar com o governo e a indústria para apoiar nesse desenvolvimento seguro.

Esse desenvolvimento da regulamentação tem que ser protegido, olhar a tecnologia como um diferencial, e essa é a nossa posição. Estamos empenhados em ajudar, inovar e a trazer exemplos, a contribuir para com que a tecnologia e a inovação sejam um grande diferencial do Brasil.

Volto ao exemplo do Pix, porque esse talvez a gente consiga tangibilizar o quanto que o regulatório, o quanto que a inovação e o quanto que o trabalho conjunto entre federações como o Febraban, empresas como a AWS e o governo conseguem atuar em conjunto para soltar uma inovação que ajuda todo o povo brasileiro.

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