Ataques da Rússia deixam seis mortos na Ucrânia e cortam energia no país

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A Rússia lançou um ataque aéreo em larga escala contra a Ucrânia na manhã desta quarta-feira (22), causando cortes de energia em quase todo o país, incendiando casas e matando pelo menos seis pessoas, incluindo um bebê de seis meses, informaram autoridades ucranianas.

A ofensiva, que envolveu 405 drones e 28 mísseis, além do uso de caças, segundo a Força Aérea ucraniana teve como alvo vastas áreas do país, incluindo a capital Kiev, e ocorreu em meio à incerteza sobre a proposta de cúpula entre os presidente Vladimir Putin e Donald Trump.

A CNN noticiou na terça-feira (21), citando um funcionário do governo Trump, que “não havia planos” para tal reunião no futuro imediato.

Trump disse posteriormente que não queria que a cúpula fosse “uma perda de tempo”, apesar do líder dos Estados Unidos ter dito na semana passada que os dois líderes se encontrariam em Budapeste, Hungria, “dentro de duas semanas ou mais, bem rápido”.

 

Apesar dos comentários de Trump na terça-feira, Moscou e Hungria afirmaram que os preparativos continuam.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que infraestrutura energética, bem como “cidades comuns”, foram alvos dos ataques desta quarta-feira. Os ataques mataram seis pessoas e feriram 17 em toda a Ucrânia, disse ele.

“Mais uma noite provando que a Rússia não sente pressão suficiente para prolongar a guerra”, escreveu Zelensky em uma publicação na rede social X.

A operadora estatal de energia da Ucrânia, Ukrenergo, afirmou que cortes de energia emergenciais foram introduzidos na maioria das regiões do países devido ao ataque.

A DTEK, maior empresa privada de energia da Ucrânia, informou que houve danos “significativos” em uma de suas instalações na região de Odessa e que os funcionários do setor de energia estavam trabalhando para restabelecer o fornecimento de energia.

Consequências dos ataques russos

Várias áreas residenciais na capital ucraniana foram atingidas, provocando incêndios em prédios enquanto os moradores lutavam para escapar, segundo autoridades municipais.

Duas pessoas morreram e 10 precisaram ser resgatadas depois que destroços de drone atingiram um prédio residencial de 16 andares no distrito de Dniprovskiy, em Kiev, causando um incêndio, conforme o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, e a prefeitura da cidade.

Uma mulher, uma menina de 12 anos e um bebê de seis meses foram mortos no distrito de Brovary, a leste de Kiev, após ataques terem causado um incêndio em sua casa, segundo Mykola Kalashnyk, chefe da administração militar regional,

Uma mulher de 83 anos foi resgatada de uma casa em chamas no mesmo distrito, continuou Kalashnyk.

Até as 12h40, horário local, um total de 25 pessoas ficaram feridas somente na cidade de Kiev devido a ofensiva russa durante a noite, de acordo com Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade.

Mais de 10 pessoas na cidade foram hospitalizadas, incluindo quatro crianças, informou Tkachenko.


Bombeiros tentam apagar incêndio após ataque da Rússia na cidade de Kharkiv na Ucrânia • Reprodução/Reuters

No nordeste de Kharkiv, um homem de 40 anos foi morto em ataques russos, de acordo com Oleh Synehubov, chefe da administração militar da região, acrescentando que seis pessoas ficaram feridas.

Zelensky, que visitava a Noruega e a Suécia para discutir cooperação em defesa nesta quarta-feira (22), disse que um drone russo atingiu um jardim de infância em Kharkiv, “após uma noite de ataques massivos”.

Ele continuou: “Todas as crianças foram retiradas e estão em abrigos. De acordo com informações preliminares, muitas estão sofrendo reações agudas de estresse.”

Em seu discurso diário de quarta-feira, Zelensky declarou que o apelo de Trump para que a Ucrânia e a Rússia parassem nas atuais linhas de frente era um “bom compromisso”, mas acrescentou que duvidava que Putin o apoiasse.

Katarina Maternovak, embaixadora da União Europeia na Ucrânia, descreveu uma “noite de horror” na madrugada de terça para quarta-feira.

“Passei aquela noite no chão do banheiro do meu hotel, transformado em abrigo. Sirenes soavam sem parar. Explosões sacudiam as paredes”, escreveu Maternovak em uma publicação nas redes sociais.

Ucrânia usa mísseis britânicos contra a Rússia

Poucas horas antes, a Ucrânia havia anunciado o uso de mísseis de longo alcance Storm Shadow, de fabricação britânica, para atingir a Usina Química de Bryansk, na Rússia, que produz pólvora e outros materiais explosivos.

O Storm Shadow é um poderoso míssil lançado do ar com alcance de 250 quilômetros e foi usado pela primeira vez contra alvos dentro da Rússia em novembro do ano passado.

Sem mencionar a usina, o governador regional de Bryansk afirmou nas redes sociais que a Rússia havia “detectado e destruído 57 UAVs inimigos do tipo aeronave” durante um ataque ucraniano na terça-feira (21). A CNN entrou em contato com o Ministério da Defesa russo para obter comentários.

Cúpula Trump-Putin

O mais recente ataque da Rússia à Ucrânia ocorre em um momento em que as esperanças de Trump de um encontro com Putin nas próximas semanas estagnaram.

Um funcionário do governo disse à CNN na terça-feira que “não havia planos” para uma cúpula entre os dois “no futuro imediato”.

Trump disse na terça-feira que não queria que o encontro fosse “uma perda de tempo”.

Ele ainda pode se encontrar com o líder russo, deu a entender, mas indicou que não era mais uma prioridade. “Notificaremos vocês nos próximos dois dias sobre o que estamos fazendo”, disse o presidente a repórteres.

Poucos dias antes, Trump negou o pedido da Ucrânia de acesso a mísseis Tomahawk de longo alcance, por enquanto, e insistiu que a Ucrânia fizesse concessões territoriais à Rússia para encerrar a guerra, em uma reunião com Zelensky na Casa Branca, de acordo com autoridades europeias informadas sobre o encontro.

Após o ataque de quarta-feira, Zelensky instou a União Europeia e os EUA a aumentarem a pressão sobre a Rússia.

“É muito importante que o mundo não permaneça em silêncio agora e que haja uma resposta unida aos ataques vis da Rússia”, disse ele.

*Com informações da Agência de Notícias Reuters

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