Apesar dos esforços do ministro Alexandre de Moraes, que direcionou à Polícia Federal, Interpol e ao governo americano solicitações para trazer o ex-deputado federal Alexandre Ramagem de volta, é difícil que ocorra a abertura de um processo de extradição. A análise é de Teo Cury, ao Bastidores CNN.
De acordo com Cury, o governo americano só extradita um estrangeiro quando o crime pelo qual ele responde no país de origem também existe na legislação americana, o que não seria o caso dos crimes pelos quais Ramagem foi condenado.
“Ao mesmo tempo que a forma como Ramagem deixou o Brasil e fugiu aos Estados Unidos pode sim complicar a situação dele, tem que ver no conteúdo qual o impacto dessas condenações impostas pela Justiça brasileira lá nos Estados Unidos”, apontou o analista: “Então, a forma como ele sai pode complicar, mas, é difícil que haja abertura de um processo de extradição”.
Apesar disso, o governo brasileiro não deixará de requerer a extradição. O ministro Alexandre de Moraes já comunicou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para dar início aos trâmites legais do processo. A questão central agora é se os Estados Unidos concordarão ou não com a abertura desse processo e se colaborarão para encaminhar a extradição do ex-deputado federal.
Ramagem perdeu seu mandato parlamentar após a Câmara dos Deputados declarar a perda do cargo, seguindo a condenação do STF. “Ele está inelegível porque foi condenado pelo Supremo, não pode disputar eleições enquanto durar essa condenação mais o acréscimo do tempo da inelegibilidade”, afirmou Cury. O suplente assumirá a vaga deixada pelo ex-parlamentar do PL do Rio de Janeiro.
PF identifica mais dois alvos de investigação
A Polícia Federal identificou mais duas pessoas que teriam ajudado na fuga do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) do Brasil aos Estados Unidos. Os dois novos suspeitos se juntam a Celso Rodrigo de Mello, preso em 13 de dezembro, em Manaus (AM), como parte da investigação.
Ramagem, que teve seu mandato cassado por decisão da mesa da Câmara dos Deputados após condenação pelo Supremo Tribunal Federal, é considerado foragido da justiça brasileira. Ele foi condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista, conforme decisão do STF.