Paraíso de Tuiuti abre última noite de desfile do Grupo Especial na Sapucaí com enredo afro-cubano

PUBLICIDADE

paraiso-de-tuiuti-abre-ultima-noite-de-desfile-do-grupo-especial-na-sapucai-com-enredo-afro-cubano

A Marquês de Sapucaí, palco do espetáculo maior do carnaval carioca, abriu suas portas na terça-feira (17) para a aguardada última noite de desfiles do Grupo Especial. A honra de iniciar os trabalhos coube à GRES Paraíso de Tuiuti, que adentrou a avenida com uma proposta enraizada na ancestralidade e na conexão transatlântica: o enredo “Lonã Ifá Lukumi”. A escola de São Cristóvão não apenas apresentou um tema, mas convidou o público a uma imersão na rica vertente religiosa afro-cubana, prometendo uma jornada de significado e celebração cultural que buscaria deixar uma marca profunda na memória dos espectadores e na avaliação dos jurados.

A Trajetória e Identidade da Paraíso de Tuiuti no Carnaval Carioca

Fundada em 1954 no bairro de São Cristóvão, a Paraíso de Tuiuti é uma agremiação com uma história de resiliência e ascensão no competitivo cenário do carnaval do Rio de Janeiro. Ao longo das décadas, a escola construiu uma identidade marcada pela ousadia e pela capacidade de abordar temas relevantes com profundidade. Embora tenha passado por diferentes divisões do carnaval, foi nos anos recentes que a Tuiuti consolidou seu lugar no Grupo Especial, ganhando destaque por enredos que frequentemente provocam reflexão e debate social.

O ponto alto de sua trajetória moderna ocorreu em 2018, quando a Paraíso de Tuiuti conquistou um histórico vice-campeonato com o enredo “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”, uma crítica contundente ao legado da escravidão no Brasil. Essa performance solidificou sua reputação como uma escola que não teme abordar temas complexos e politicamente carregados. Contudo, o carnaval é um desafio constante, e a agremiação enfrentou dificuldades em 2023, terminando em 10º lugar, impactada por problemas de evolução que são cruciais na avaliação dos jurados e podem comprometer o conjunto da apresentação.

“Lonã Ifá Lukumi”: Mergulho na Cultura Afro-Cubana e Yoruba

O enredo “Lonã Ifá Lukumi” representa uma escolha temática audaciosa e de grande riqueza cultural. A expressão remete diretamente à religião Lukumi, mais conhecida como Santería, uma vertente religiosa afro-cubana que se originou da fusão das tradições Yorubas da África Ocidental com elementos do catolicismo espanhol, resultado da diáspora africana forçada. Ao trazer essa temática para a Sapucaí, a Tuiuti não apenas homenageou uma cultura, mas também ressaltou a interconexão e a resiliência dos povos africanos e seus descendentes nas Américas.

No cerne do enredo estava a figura de Orunmila, uma divindade (Orixá) primordial na cosmologia Yoruba, reverenciado como o senhor da sabedoria, da adivinhação e do destino. Orunmila é o portador do Ifá, o sistema oracular que guia a vida e o conhecimento para os seguidores da fé. Através dessa figura central, a escola narrou a ancestralidade Yoruba e a complexa travessia transatlântica que conecta, em um fluxo cultural e espiritual ininterrupto, os continentes da África, Cuba e Brasil. O carnavalesco Jack Vasconcelos, conhecido por sua pesquisa apurada e capacidade de transformar conceitos densos em espetáculos visuais, foi o responsável por traduzir essa profundidade em alas, alegorias e fantasias.

A Mensagem no Samba e a Voz que Guia

A narrativa do enredo ganhou vida através do samba-enredo, interpretado com maestria por Pixulé. A voz do intérprete ecoou pela avenida, conduzindo os componentes e o público pela história de Orunmila e pela jornada cultural proposta. As letras do samba-enredo são fundamentais para um desfile, pois condensam a mensagem e o espírito do tema em versos cativantes, que não apenas embalam a bateria, mas também explicam e contextualizam as alegorias e fantasias que desfilam. Pixulé, com sua performance vibrante, conseguiu transmitir a força e a sacralidade da ancestralidade evocada, criando uma experiência imersiva para quem assistia.

O Espetáculo na Sapucaí: Harmonia, Evolução e Componentes

A Paraíso de Tuiuti apresentou na avenida um desfile grandioso, com 25 alas, 5 carros alegóricos – peças monumentais que contam partes da história do enredo – e 1 tripé, além de 3100 componentes. Cada um desses elementos é cuidadosamente planejado para contribuir para a narrativa visual e para a pontuação nos quesitos de julgamento, como fantasias e alegorias. As alas representam diferentes aspectos do enredo, enquanto os carros trazem as grandes representações cenográficas, com detalhes e movimentos que surpreendem o público. A performance da rainha de bateria, Mayara Lima, também é um ponto alto, combinando beleza, carisma e samba no pé à frente do coração pulsante da escola.

Um dos pontos observados no desfile da Tuiuti foi o tempo de sua passagem pela avenida. A escola concluiu sua apresentação antes do limite de 80 minutos estipulado para cada agremiação do Grupo Especial. Embora evitar penalidades por estouro de tempo seja fundamental, uma finalização muito antecipada pode levantar questões sobre o quesito evolução – a fluidez e a ausência de buracos entre as alas – e harmonia, que avalia a sintonia entre o canto dos componentes e o samba-enredo. A agremiação precisava demonstrar que, mesmo com o ritmo acelerado, conseguiu manter a coesão e a grandiosidade de seu projeto, superando os problemas de evolução que a prejudicaram no ano anterior.

Expectativas e o Impacto no Julgamento Final

O desfile da Paraíso de Tuiuti, ao abrir a última noite do Grupo Especial, carregava a responsabilidade de estabelecer um alto padrão para as escolas seguintes. Após o vice-campeonato de 2018 e o desempenho mais modesto de 2023, havia uma expectativa de que a escola retornasse com força total. O enredo “Lonã Ifá Lukumi” foi uma escolha poderosa, que permitiu explorar a riqueza da cultura afro-brasileira e afro-cubana, valorizando a identidade e a resiliência de um povo. A capacidade de Jack Vasconcelos de traduzir essa complexidade em um desfile coeso e impactante seria crucial.

O julgamento do carnaval é minucioso, considerando diversos quesitos, como samba-enredo, bateria, harmonia, evolução, conjunto, fantasias, alegorias e enredo. Cada detalhe da apresentação da Tuiuti seria analisado. A profundidade do tema, a beleza das alegorias e a energia da bateria e dos componentes são vitais, mas a precisão na evolução e a capacidade de manter a harmonia durante toda a passagem são igualmente importantes. A Paraíso de Tuiuti, com seu desfile pontual e sua mensagem poderosa, buscou não apenas pontuar bem, mas também reforçar seu legado como uma escola que honra suas raízes e eleva o nível artístico do carnaval carioca.

A Paraíso de Tuiuti mais uma vez demonstrou que o carnaval é muito mais que uma festa; é um espaço de celebração cultural, de resgate histórico e de profunda expressão artística. Sua aposta em “Lonã Ifá Lukumi” não foi apenas um enredo, mas um manifesto sobre a força da ancestralidade e a união entre os povos. Para continuar acompanhando todos os desdobramentos dos desfiles, as apurações e as análises aprofundadas sobre o carnaval do Rio de Janeiro, permaneça conectado ao SP Notícias. Explore nossas matérias e não perca nenhum detalhe do maior espetáculo da Terra!

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE