Com críticas a Trump e defesa da soberania, bloco arrasta 10 mil foliões em Pinheiros no Carnaval de São Paulo

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Bastardo leva sátira política às ruas da zona oeste, ironiza tarifaço dos EUA e reforça orgulho brasileiro em desfile marcado por fantasias criativas e aula de dança coletiva

O bloco Bastardo transformou as ruas de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, em um palco de sátira política e exaltação da identidade nacional neste domingo (15), durante o Carnaval de São Paulo. Em seu 13º desfile, o grupo reuniu cerca de 10 mil foliões e levou para o asfalto o tema “Soberania Nacional”, embalado por marchinhas autorais, frevos e clássicos do repertório carnavalesco.

O cortejo teve início na Rua João Moura e seguiu por vias tradicionais do bairro, como Fradique Coutinho, Rua dos Pinheiros, Henrique Schaumann e Artur de Azevedo. O bloco já havia saído no sábado (14) e ainda volta às ruas na terça-feira (17), mantendo a expectativa de público semelhante nos três dias.

Neste ano, a marchinha-tema trouxe versos que misturam humor, crítica geopolítica e referências culturais brasileiras. Trechos como “minha penca de banana mete taxa nos bacana” fazem alusão direta às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a diversos países, incluindo o Brasil. Segundo os organizadores, a proposta é reagir artisticamente ao contexto sociopolítico contemporâneo.

“Não me vendo, não te importo sangue quente, sou real minha pátria, nossa pinga vem provar meu carnaval”, diz outro trecho da canção, que reforça o discurso de autonomia cultural e nacional.

Fantasias, cultura pop e crítica política

O desfile foi marcado por fantasias que exaltavam símbolos brasileiros, como caipirinhas gigantes, Carmen Miranda, o personagem Zé Gotinha ícone das campanhas de vacinação do SUS e referências à música “Minha Pequena Eva”. Também houve provocações diretas a Trump e menções à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, citada em letras de marchinhas cantadas pelo público.

Personagens da cultura pop nacional também ganharam espaço. Duplas vestidas como Fátima e Sueli, da série “Tapas & Beijos”, e foliões com estatuetas do Oscar em alusão a Wagner Moura circularam pelo bloco. Já Fernanda Torres foi homenageada em diferentes fantasias, mostrando a força das referências televisivas e cinematográficas no imaginário carnavalesco.

Em meio à festa, o cortejo fez uma pausa para uma aula aberta de dança, realizada em parceria com uma academia do bairro. Ao som de Ivete Sangalo e MC Melody, foliões participaram da atividade coletiva, que trouxe um momento de interação e integração ao desfile.

Críticas à gestão municipal

A presidente do bloco, Ana Luiza Borges, cientista social e organizadora do Bastardo, afirmou que o grupo enfrenta dificuldades financeiras e que, neste ano, não recebeu fomento da Prefeitura.

“Carnaval é uma manifestação cultural popular e livre, mas está sendo tratado como um evento comum. A gestão poderia dialogar mais com os blocos e construir políticas públicas alinhadas às nossas demandas”, avaliou.

Segundo ela, a sobrevivência do bloco depende de parcerias comunitárias, venda de produtos e editais privados. Neste Carnaval, o Bastardo contou com patrocínio da Ambev e apoio da academia responsável pela aula de dança.

Origem e identidade

Fundado em 2013 por integrantes mais jovens do tradicional bloco Vai Quem Qué, que existe desde 1981, o Bastardo surgiu com a proposta de ampliar a participação e renovar a estética carnavalesca do bairro.

O nome faz referência à ideia de que “a rua é mãe de todos e o pai é desconhecido”, reforçando o espírito plural e aberto do grupo. Além das marchinhas compostas anualmente, o bloco mantém um hino fixo que celebra sua trajetória.

Em um Carnaval marcado por debates sobre organização, segurança e ocupação do espaço público, o Bastardo reafirmou sua identidade como manifestação cultural crítica e comunitária transformando o asfalto de Pinheiros em espaço de celebração, humor e posicionamento político.

HostingPRESS Agência de Notícias de São PauloConteúdo distribuído por nossa Central de JornalismoReprodução autorizada mediante crédito da fonte

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