


Amigos surdos, irmãos cegos e menino autista vivem a emoção dos desfiles em área adaptada com Libras, audiodescrição e estrutura especializada
A vibração da bateria atravessa o chão do Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, e transforma o Carnaval em uma experiência que vai além do som e da imagem. Na área inclusiva montada pela Prefeitura dentro do camarote oficial, histórias de amizade, família e pertencimento mostraram que a festa também é feita para todos.
Durante visita ao espaço neste sábado (15), foi possível acompanhar de perto como recursos de acessibilidade têm ampliado a participação de pessoas com deficiência nos desfiles das escolas de samba.
Logo na entrada, cinco amigos surdos chamavam atenção pela animação. Eles estudaram juntos na capital paulista e decidiram viver o desfile lado a lado, sentindo a vibração da bateria e acompanhando cada detalhe com apoio de intérprete de Libras.
“A acessibilidade aqui está muito fácil. Tem intérprete. Sem comunicação é muito ruim. É nossa primeira vez e estamos emocionados”, disseram Luiz Roberto Pires Amaral, auxiliar administrativo, e Natália Maria Moura, analista bancária.
Mesmo sem ouvir o samba, o grupo afirma que sente o ritmo no corpo. “A gente sente como todo mundo. Sente a energia”, resumiu o ator surdo Léo Castilho, que também acompanhava o desfile no espaço adaptado.
Autismo e pertencimento na avenida
Poucos metros adiante, o pequeno Rio Sora, de 8 anos, acompanhava atento cada alegoria ao lado da mãe, Luciana Campos. Autista e apaixonado por grafite, São Paulo e Carnaval, ele conheceu a festa pela televisão antes de viver a experiência presencialmente.
“No ano passado trouxemos abafador, mas ele tirou porque gosta do som da bateria. Ficou até 4h30”, contou a mãe.
Para ela, o espaço inclusivo é essencial. “Não é porque você tem uma deficiência que não curte. Isso aqui é uma festa maravilhosa.”
Audiodescrição permite ‘enxergar’ o desfile
O espaço também atende pessoas cegas e com deficiência visual por meio da audiodescrição recurso que transforma imagens, cores, fantasias e movimentos em palavras.
“A audiodescrição é maravilhosa. A gente consegue entender tudo o que está acontecendo. Eu recebo a emoção”, afirmou Maria Roseli.
Roselene de Souza Celoto, que desfila há 16 anos pela Rosas de Ouro, explicou como o recurso funciona na prática: “Quando descrevem a alegoria, a gente imagina na mente. Muitos de nós já tivemos visão e temos memória das cores.”
Quem conduz essa ponte entre imagem e palavra é a audiodescritora Vanessa Aparecida Campos, de 31 anos. “Descrevemos fantasias, cores, detalhes. Eles fazem questão de saber tudo. É emocionante.”
Como funciona a área inclusiva no Carnaval de SP
As ações fazem parte das iniciativas da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED). Entre os recursos oferecidos estão:
- Intérpretes de Libras no camarote acessível
- Projeto “Samba com as Mãos”, que traduz sambas-enredo para Libras
- Audiodescrição ao vivo, transmitida pelo YouTube da SMPED
- Aplicativo CIL-SMPED, que permite acionamento de serviços de emergência por videochamada com intérprete, sem consumo de dados móveis
A estrutura garante não apenas acessibilidade física, mas também comunicacional um avanço destacado pelos próprios participantes.
Na avenida, a inclusão se traduz em pertencimento. Entre vibrações sentidas no corpo, palavras sinalizadas e imagens descritas, o Carnaval de São Paulo mostra que a festa só é completa quando todos podem participar.
HostingPRESS Agência de Notícias de São PauloConteúdo distribuído por nossa Central de JornalismoReprodução autorizada mediante crédito da fonte
Portal criado para conectar os leitores da região ao melhor conteúdo
Somos líderes de audiência local. Somos sociais. Conecte-se conosco.