Após dois anos isolada, Fiona, a ‘ovelha mais solitária do mundo’, dá à luz gêmeos na Escócia

PUBLICIDADE

apos-dois-anos-isolada,-fiona,-a-‘ovelha-mais-solitaria-do-mundo’,-da-a-luz-gemeos-na-escocia

Em um desfecho que emocionou entusiastas de animais e a comunidade online, Fiona, a ovelha que conquistou o título de ‘a mais solitária do mundo’ após uma longa permanência isolada em um penhasco na costa nordeste da Escócia, deu à luz um par de gêmeos saudáveis. O aguardado evento ocorreu no Parque Dalscone, em Dumfries, onde Fiona reside desde seu resgate dramático em 2023. O nascimento de um macho e uma fêmea foi prontamente confirmado pela fazenda, que já havia divulgado a gravidez da ovelha no início deste ano, despertando grande expectativa.

A epopeia do resgate: Do isolamento extremo a uma nova chance

A história de Fiona começou a ganhar destaque quando a caiaquista Jillian Turner a avistou pela primeira vez em 2021, presa ao pé de um penhasco íngreme e de difícil acesso. O choque e a preocupação se intensificaram quando, um ano depois, Turner a encontrou novamente no mesmo local, com a lã excessivamente crescida, um claro sinal do abandono prolongado e da impossibilidade de se mover para locais de pastagem ou para ser tosada, um processo vital para a saúde das ovelhas.

A situação precária de Fiona mobilizou um grupo de voluntários dedicados, conhecido como The Sheep Game, que descreveu a operação de resgate como ‘épica’. O local remoto e a topografia desafiadora exigiram o uso de equipamentos pesados e uma coordenação minuciosa para retirar a ovelha em segurança. Imagens do resgate, que viralizaram nas redes sociais, mostraram a complexidade e os riscos envolvidos na missão. Após ser levada para um local seguro, Fiona foi submetida a uma avaliação veterinária detalhada e, para alívio de todos, foi considerada ‘em excelente forma’, apesar dos anos de isolamento e exposição aos elementos.

A readaptação e os desafios da socialização no Parque Dalscone

Ao chegar ao Parque Dalscone, Fiona apresentava não apenas o peso excessivo devido à falta de tosa, mas também um comportamento reservado e dificuldades notáveis de socialização. De acordo com Ben Best, fazendeiro responsável pelo parque, a ovelha levou aproximadamente dois anos para atingir uma condição física ideal que a tornasse apta para a reprodução. Esse período foi crucial para sua recuperação nutricional e para a adaptação ao novo ambiente, longe da solidão do penhasco.

Em entrevista à BBC, Best revelou que, apesar dos esforços e da convivência com outras ovelhas, Fiona manteve uma postura distintamente solitária. ‘Ela nunca se apegou totalmente a nenhuma outra ovelha. Sempre foi reservada’, explicou o fazendeiro. Essa dificuldade em formar laços com seus semelhantes, um comportamento atípico para ovinos que são animais sociais por natureza, destacava o profundo impacto do isolamento prolongado em seu bem-estar psicológico e social.

A busca por um vínculo: A maternidade como terapia

A decisão de permitir que Fiona tivesse filhotes não foi meramente reprodutiva; ela foi motivada por uma profunda esperança e pela busca de um vínculo que a ovelha parecia não ter conseguido estabelecer com outros animais do rebanho. Ben Best articulou essa intenção com clareza: ‘Queríamos que ela tivesse sua própria pequena família’. Acredita-se que a maternidade pudesse ser a chave para Fiona desenvolver um apego e uma conexão emocional, preenchendo o vazio deixado por anos de solidão.

Esse plano se mostrou acertado. A expectativa era que o instinto materno proporcionasse a Fiona a experiência de um vínculo incondicional, algo que a ajudaria a superar o comportamento reservado e a encontrar um senso de pertencimento. A gravidez e, posteriormente, o nascimento dos cordeiros, representavam não apenas um novo capítulo em sua vida, mas também uma forma de ‘terapia’ natural para um animal que havia experimentado uma solidão tão extrema.

O nascimento dos gêmeos: O fim da solidão de Fiona

O anúncio do nascimento dos gêmeos – um macho e uma fêmea – foi recebido com entusiasmo e alívio. Ben Best descreveu a reação de Fiona como imediata e emocionante. ‘Ela gostou deles na hora, lambia-os e simplesmente os adorava’, afirmou ele, destacando a conexão instantânea e profunda entre a mãe e seus filhotes. Essa adaptação materna instantânea foi um testemunho da capacidade de recuperação e do forte instinto da natureza.

Nas redes sociais, o Parque Dalscone celebrou o evento com uma mensagem comovente: ‘A ovelha mais solitária do mundo não está mais sozinha’. A frase resumiu perfeitamente a jornada de Fiona, de uma existência isolada e precária a uma nova vida rodeada pela sua própria família. A chegada dos cordeiros saudáveis não apenas marcou o fim de sua solidão literal, mas também simbolizou uma vitória da resiliência e do cuidado animal.

O legado de Fiona: Inspiração, nomes e a história de Shrek

O nome ‘Fiona’ foi atribuído à ovelha em referência a outro caso notório: Shrek, uma ovelha da Nova Zelândia que viveu isolada por seis anos, acumulando uma quantidade extraordinária de lã. Essa inspiração foi citada pelo tosquiador Cammy Wilson, evidenciando como histórias de resiliência animal em condições extremas capturam a imaginação do público. Para os recém-chegados, os gêmeos de Fiona, ainda sem nomes, já são alvo de sugestões, com muitos pedindo que recebam nomes ligados à história do famoso personagem Shrek, reforçando o simbolismo de sua mãe.

A saga de Fiona não é apenas uma notícia sobre um animal; é uma narrativa poderosa sobre perseverança, a importância do resgate de vida selvagem e o impacto positivo do cuidado humano. Ela se tornou um símbolo de esperança para muitos, mostrando que mesmo após anos de abandono e solidão, a recuperação e a formação de novos laços são possíveis. Sua história ressalta a dedicação de grupos como The Sheep Game e a compaixão de santuários como o Parque Dalscone.

Além da notícia: Conscientização e o elo humano-animal

A viralização da história de Fiona nas redes sociais transcende o mero entretenimento, servindo como um poderoso catalisador para a conscientização sobre o bem-estar animal. Ela destaca a fragilidade da vida selvagem, a importância de intervenções humanas em situações de emergência e o impacto da degradação ambiental ou da negligência. A atenção global que Fiona recebeu demonstra o profundo elo que existe entre humanos e animais, e como histórias de superação no reino animal ressoam fortemente com nossa própria capacidade de resiliência e esperança.

Este episódio reforça a vitalidade de organizações de resgate e a relevância de locais como o Parque Dalscone, que oferecem refúgio e reabilitação. A história de Fiona e seus gêmeos é um lembrete tocante de que, mesmo nas circunstâncias mais improváveis, o cuidado e o amor podem transformar a solidão em uma família feliz e completa.

A jornada de Fiona, da ovelha mais solitária do mundo à orgulhosa mãe de gêmeos, é uma fonte inesgotável de inspiração. Que tal explorar outras histórias igualmente fascinantes sobre superação, vida selvagem e as últimas notícias do mundo animal? Navegue agora mesmo pelo SP Notícias e descubra um universo de conteúdo que te conecta com o que há de mais relevante e emocionante.

Fonte: https://oglobo.globo.com

Mais recentes

PUBLICIDADE