
As negociações para um acordo de colaboração premiada entre o empresário Maurício Camisotti e a Polícia Federal estão emperradas, com o principal obstáculo sendo a definição do valor a ser devolvido pelas autoridades. Camisotti, considerado uma peça-chave nas investigações do esquema bilionário de corrupção no INSS, está preso desde setembro e é apontado como um dos líderes do esquema de desvio de fundos de aposentadorias.
O empresário, dono de companhias nos setores de seguros e planos de saúde, busca um acordo, mas as exigências da PF e do Ministério Público de fornecer informações inéditas e devolver o dinheiro desviado ainda não foram atendidas. Camisotti alega que parte de seu vasto patrimônio não é fruto de roubo e deseja uma clara distinção entre seus bens lícitos e os obtidos ilegalmente, pois tudo está bloqueado.
O esquema, que teria desviado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, envolveu descontos indevidos em milhares de aposentadorias. Camisotti é investigado como beneficiário direto, controlando três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão com essas fraudes, tendo recebido pessoalmente cerca de R$ 43 milhões. A mera possibilidade de sua delação gera apreensão no meio político de Brasília, especialmente a menos de um ano das eleições.
Um eventual acordo de colaboração premiada necessitaria da homologação do ministro do STF André Mendonça, que recentemente determinou a prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Stefanutto é suspeito de receber uma propina mensal de R$ 250 mil de uma das entidades investigadas após assumir a presidência do instituto.
Integrantes da CPI do INSS demonstram otimismo com o fechamento do acordo de Camisotti, acreditando que ele pode impulsionar as apurações. No entanto, o advogado de Camisotti não se manifestou, e a assessoria do empresário negou qualquer tratativa de delação, afirmando que seu patrimônio é resultado de mais de 40 anos de trabalho legítimo no mercado de saúde.