
“O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas.”
Um dia, Madre Teresa D’Ávila andava pelo convento da Encarnação, em Ávila, na Espanha, quando viu um pequeno menino, surpresa por ter uma criança no convento, ela correu ao menino, elas viviam em uma clausura, não podia entrar nada externo no convento, chegando ao menino ela pergunta:” Quem sois vós?” E o menino respondeu com outra pergunta:” E tu, quem sois?” Ela respondeu: “Eu sou Teresa de Jesus.” E a criança replicou: “Então, eu sou Jesus de Teresa.” Esse episódio mostra a pertença e a intimidade da nossa grande heroína da fé, celebrada nesse dia, Santa Teresa de Jesus, (Santa Teresa D’Ávila).
Desde pequena, Santa Teresa D’Ávila quis dedicar sua vida a Deus, mostrando uma grande fortaleza, quis ser martirizada por causa da fé, chegando a fugir de casa com seu irmão Rodrigo aos 9 anos de idade, afim de conseguirem o martírio pelas mãos dos mouros.
Deus não a quis mártir pela esperança, mas pela paciência, pois como diz São Gregório Magno:”No livro do apocalipse, todos os santos que estavam de pé, diante do cordeiro, tinham palmas nas mãos, a palma representa o martírio, porém, sabe-se que nem todos os santos são mártires, entretanto todos seguravam a palma porque alcançaram o Martírio, uns pela espada, outros pela paciência.”
Santa Teresa D’Ávila na adolescência, influenciada pelas más e vás leituras, se afasta um pouco do ideal de santidade, porém, teve um despertar à fé pela oração, e decidiu entrar para a vida religiosa no Carmelo da Encarnação em Ávila.
Vemos na vida e escritos de Santa Teresa, muitas idas e vindas sobre a vida de oração, muitas vezes ela abandonou a vida de oração, após grandes crises e doenças graves, que a deixaram prostrada por algum tempo, ao se recuperar, ela muitas vezes abandonou por completo a vida de oração intimida, rezando somente a oração conjunta com as irmãs, no coro.
Com a morte do seu pai, porém, ela decide firmemente pela vida espiritual e de oração, como ela mesmo diz: com sua determinada determinação. A vida religiosa carmelita em seu tempo, passava por um período turbulento, as irmãs levavam uma vida pouco orante e pouco edificante. As irmãs das classes mais pobres, que pediam esmolas para não passar fome, enquanto as monjas mais abastadas viviam de sua própria renda, e tinham direito ao voto no capítulo, enquanto as mais pobres não o tinham, também havia uma grande movimentação de pessoas no convento, que iam para o lugar somente para conversar com as religiosas. Tudo isso fazia com que se levasse uma vida muito pouco piedosa.
A própria Santa Teresa gostava dessas conversações e um dia foi censurada da parte do Senhor. Rezava diante de uma imagem de Jesus coroado de espinhos, flagelado e com as mãos atadas e perguntou-Lhe por que Ele sofria tanto. E ele replicou que sofria devido às conversações vãs que ela mantinha no parlatório. A partir daí, Teresa se converteu. Estava com 40 anos de idade quando iniciou a sua vida mística. Santa Teresa recebe a autorização para fundar seu próprio Mosteiro, que recebeu o título de Mosteiro de São José em Ávila, o primeiro da reforma carmelitana, das chamadas Carmelitas descalças.
Eram treze irmãs no início da reforma carmelitana descalça, Santa Teresa a essa altura, uma santa mística de 6 morada, reconhecida pela santidade e amor a Deus, tal como Nosso Senhor e seus discípulos, as irmãs pediram a ela que as ensinasse a rezar, onde então era escreve o seu precioso livro: Caminho de perfeição.
Várias Lições Tiramos da vida de Santa Teresa D’Ávila, a vida de oração sobretudo, o sofrimento e o amor a Deus.
Sobre a vida de oração, seus escritos que mais tarde lhe deram o título de doutora da igreja em 27 de setembro de 1970, ela tornou-se a primeira mulher elevada à Doutora da Igreja, sob o pontificado do Papa Paulo VI.
O resumo da oração pelos métodos de Santa Teresa D’Ávila está em sua famosa frase:
“Nada te perturbe,
nada te assuste,
tudo passa.
Deus não muda.
A paciência tudo alcança.
Quem a Deus tem nada lhe falta.
Só Deus basta!”
Vemos a confiança que devemos ter na oração: (nada te perturbe, tudo passa), a caridade a Deus a qual a oração nos conduz (Só Deus basta), a confiança em sua bondade (A paciência tudo alcança), e o desapego aos bens mundanos e a entrega total a Deus(Quem tem a Deus, nada falta, só Deus basta).
No sofrimento, que é chave da vida cristã, temos um episódio de sua vida, Conta-se que Santa Teresa de Ávila estava indo de burro até um dos conventos da ordem carmelita quando o burro achou por bem derrubá-la em plena lama. Além de se sujar toda, ela ainda machucou a perna.
Ela então olhou para o céu e disse a Deus, com quem tinha grande intimidade filial:
“Senhor, que bela hora para acontecer isto! Por que deixastes isso acontecer?”
Uma voz do Céu lhe respondeu:
“É assim que trato os meus amigos!”
A santa mística retrucou no ato:
“Se é assim que tratais os Vossos amigos, não me admira que tenhais tão poucos!”
Os amigos de Nosso Senhor Jesus Cristo, devem estar preparados para estarem com ele no horto do Getsêmani, sofrendo com ele, carregando a cruz após ele e sendo crucificado com ele.
E o amor a Deus, que é a fim último da vida cristã, a glória de Deus, Santa Teresa D’Ávila tinha um profundo amor a Deus e um grande desejo desde a tenra idade de ir para o céu, o grande movimento interior que nos causa o amor é desejar estar perto da pessoa amada, Santa Teresa D’Ávila apaixonada pelo céu e pela eternidade, um dos seus poemas ela diz:
“Vivo sem viver em mim,
Que tal alta vida espero,
Que morro por não morrer.”
Morro, porque não morro, a morte para os santos é encontro com o Senhor Nosso Deus, é união com ele, que tão alta vida esperamos, tanta alegria a de nos dar, que morremos, justamente porque não morremos, morremos e desfalecemos de saudade para encontrar com o amado de Nossa alma. Que Santa Teresa D’Ávila, derrame sobre nossos corações,o fogo da caridade que ardeu em seu peito, para que um dia, na santa eternidade junto a Deus, possamos louvá-lo e ama-lo para todo o sempre. Não é uma vida fácil, a oração, o desapego de si, o amor ao sofrimento e ao recolhimento, mas a própria mestra Teresa D’Ávila nos ensina: “É justo que muito custe, o que muito vale.”
Lembremos que temos uma mãe e medianeira entre nós e Deus, e que está conosco para nos elevar a ele, essa gloriosa mãe, desde do início esteve com Santa Teresa, ela tão menina perdeu a sua mãe, então corre ela para uma imagem de Nossa Senhora e diz:Agora, Sede vós a minha mãe.” Fiquemos com Maria, ela nos levará até Deus, e com uma pitada da devoção carmelitana, também com o glorioso São José, o grande santo de devoção dela, e da qual ela cantou em vida as suas glórias, os teólogos e padres Josefinos, dizem que a devoção a São José é dívidida no antes e depois de Santa Teresa D’Ávila, e e sobre a glória e poder de São José, ela dizia:” Não me lembro de algo que tenha pedido a São José, e ele não me tenha alcançado.”
Sancta Theresia a Iesu, Ora Pro Nobis.