Os deputados Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) debateram nesta quinta-feira (28) no CNN Arena sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a operação deflagrada contra um esquema financeiro com infiltração de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Para Boulos, o julgamento do plano de golpe é uma “demonstração de que as instituições do Judiciário brasileiro estão funcionando”.
A afirmação foi feita após a publicação da revista britânica The Economist, que dedicou sua capa semanal à ação na Suprema Corte que vai julgar, a partir da próxima terça-feira (2), a suposta participação de Bolsonaro e aliados numa tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Nikolas, por sua vez, disse que o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, tem “parte interessada no julgamento”, além de que “o golpe que aconteceu aqui no dia 8 [de janeiro] é algo impossível”.
“Zero ampla defesa, os próprios juízes manifestam fora dos autos (…) ele [Moraes] é a pessoa que investiga, é a vítima ao mesmo tempo. Um golpe que não foi achado nenhum tipo de armas de fogo, um golpe que tinha vendedor de algodão-doce no meio do golpe, o próprio Bolsonaro não estava nem aqui”, criticou.
Ao citar o episódio do 6 de janeiro de 2021, quando manifestantes invadiram o Capitólio, Boulos afirmou que “os Estados Unidos se acovardaram ao tentar julgar aqueles que tentaram dar golpe”, mas que o “Brasil, não”.
Em resposta, Nikolas criticou o governo Lula e citou a visita do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ao Brasil.
“Depende se a democracia for a relativa do Lula, que convida um ditador como Nicolás Maduro aqui para o Brasil, então se eles acham que isso é democracia, eu não posso falar nessa democracia”, disse.
Operação
Ao comentarem sobre a operação, Boulos afirmou que Nikolas “ajudou” o crime organizado ao “espalhar fake news” sobre o Pix, mencionando um vídeo feito em janeiro deste ano onde o deputado do PL critica o governo e diz que o Pix “não será taxado, mas não duvido que seja”.
Nikolas, por sua vez, disse que na falta do que lhe acusar, Boulos tenta “atrelar à questão do meu vídeo do Pix com o crime organizado”. “Você acha mesmo que eu sou uma pessoa que não tem um pingo de processo sobre nada de corrupção, você acha mesmo que vai ‘colar’ que eu tô ajudando PCC?”, questionou.
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quinta-feira que a revogação da instrução normativa que ampliava o monitoramento de operações financeiras foi resultado do “maior ataque de mentiras e fake news da história da Receita”.
Segundo Barreirinhas, a narrativa de que haveria uma “taxação do Pix” não só inviabilizou a norma, como acabou beneficiando diretamente organizações criminosas que foram descobertas em três operações, que mostraram cerca de 1.000 postos de combustíveis em dez estados movimentaram mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, usando fintechs como “bancos paralelos” para ocultar recursos ilícitos.
*Sob supervisão de Douglas Porto